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SÃO PAULO - A forte queda no tráfego aéreo na Europa pode se tornar um grande entrave para as novas regras de eficiência ambiental da região, afirma a Organização de Serviços de Navegação para a Aviação Civil (Canso, na sigla em inglês). Na avaliação da entidade, essa retração no tráfego vai reduzir a tal ponto o ganho de empresas que fornecem serviços de navegação aérea que elas podem se tornar relutantes a implementar ações que podem levar a uma redução no consumo de combustíveis e nas emissões de aeronaves trafegando por sobre a Europa.

O tráfego aéreo, afirma a Canso, já caiu até 10% em alguns aeroportos europeus na comparação com o ano passado. Isso, diz, tem impacto direto sobre as empresas que controlam o espaço aéreo europeu.

Segundo o secretário-geral da entidade, Alexander ter Kuile, os aeroportos e o segmento de controle do espaço aéreo mais baixo são os que têm sentido os maiores efeitos da redução no tráfego. Ainda assim, essa redução também se faz sentir em operações com teto de vôo mais elevado.

Segundo Ter Kuile, o tráfego já caiu 1,8% na região de controle aéreo britânico, 0,3% na área belga e 0,6% na espanhola.

Acompanhado de outros especialistas do setor, o executivo assinou uma declaração durante evento em Budapeste pedindo que sejam adotadas o quanto antes as mudanças propostas pelo projeto de unificação do sistema de controle aéreo europeu. O setor quer, ainda, a aprovação e a rápida implantação de um segundo passo desse projeto, mais abrangente.

Outra reivindicação do setor é para que sejam acelerados os investimentos que levem a ganhos de eficiência e redução de custo em curto prazo, e adiamento daqueles que terão efeito em prazo mais longo ou que não são essenciais.

Segundo a Canso, os prejuízos das companhias aéreas devem continuar e, possivelmente, piorar no ano que vem. Assim, qualquer benefício possível de se extrair de um programa já aprovado como o de unificação do controle aéreo deve ser acelerado.

O secretário-geral da Canso lamenta o fato de que o controle do tráfego aéreo europeu seja muito ligado politicamente aos governos de seus países, o que retarda a implantação das mudanças propostas. Segundo ele, há ganhos enormes a serem obtidos com o sistema unificado, reduzindo a duração de vôos, otimizando o espaço aéreo e os procedimentos de partida e chegada de aeronaves, o que garantiria grande economia ao setor.

Segundo ele, atualmente apenas 10% do poder de decisão para implementar o sistema único está nas mãos das operadoras do tráfego aéreo. A maior parte, 60%, é dominado pelos governos e áreas militares dos países envolvidos. Os 30% restantes, diz, recaem sobre os programas de coordenação regional do programa.

(José Sergio Osse | Valor Online)

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