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SÃO PAULO - O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, apontou a forte queda nas exportações como a grande responsável pelo recuo na produção doméstica de automóveis. Com o agravamento da crise financeira internacional, as vendas externas das montadoras instaladas por aqui vêm caindo de forma importante nos últimos meses, o que acaba sendo refletido na linha de montagem.

Quando comparadas ao mesmo período do ano anterior, as exportações já acumulam oito quedas mensais até fevereiro último. O movimento mais abrupto, no entanto, foi observado em janeiro deste ano, quando o declínio chegou a 61,9%. Em fevereiro, o quadro melhorou um pouco, mas a queda seguiu acentuada: 52,2%.

Em sua reunião mensal, a Anfavea abriu hoje os dados referentes ao primeiro mês do ano, quando as exportações para a Argentina, maior compradora de carros brasileiros, recuou 66,9% ante o mesmo mês de 2008. Em igual intervalo de comparação, as vendas para o México caíram 59,7%, enquanto que para a União Europeia, a queda foi menor, de 18,4%. Já os negócios com os países do grupo andino caíram 62,9%. Para o Chile, a queda foi de 80,7%.

E foi justamente no período em que as exportações começaram a cair forte que a produção nacional apontou para baixo. Em janeiro, foram fabricados 27,6% menos carros do que no mesmo mês de 2008. Já no mês passado, assim como ocorreu nas exportações, a situação melhorou um pouco, com queda de 20,6%.

Segundo Schneider, o manuseio dos estoques também influenciou no ritmo da produção, porém a principal causa foi mesmo a exportação. Ele disse ainda não acreditar em uma recuperação das vendas externas nos próximos meses.

(Murillo Camarotto | Valor Online)

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