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Associações de turismo americanas atribuem às dificuldades para se conseguir a permissão de entrada a queda da participação dos EUA como destino para viagens de longa distância

Apesar de todas as dificuldades impostas pelo governo americano para concessão do visto, Nova York ainda é um dos principais destinos turísticos do mundo
Reuters
Apesar de todas as dificuldades impostas pelo governo americano para concessão do visto, Nova York ainda é um dos principais destinos turísticos do mundo
As Associações de viagem e planejadores de congressos estão entre os grupos que pressionam os Estados Unidos a mudar algumas de suas exigências de visto mais onerosas, argumentando que as regras atuais impedem a entrada de muitos viajantes internacionais a negócios e que um processo mais rápido e eficiente ajudaria as empresas americanas a competir no mercado global.

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Em alguns países, o tempo de espera para obter o visto pode chegar a cem dias, segundo a U.S. Travel Association, e os viajantes que não moram na cidade onde fica o consulado americano, ou perto dela, podem ter de gastar centenas de dólares em deslocamentos para as entrevistas obrigatórias face a face.
"Não existe nada, absolutamente nada, numa espera de cem dias que nos torne mais seguros", Geoff Freeman, diretor de operações da associação. "Isso está custando caro para nossa economia."

Segundo a associação, globalmente, as viagens de longa distância cresceram 40 por cento entre 2000 e 2010, mas a participação dos EUA caiu de 17 por cento para 12,4 por cento. A associação calculou que por não conseguir manter o ritmo, os EUA perderam 78 milhões de visitantes potenciais que poderiam ter gastado US$ 606 bilhões.

A associação defende uma legislação que reduza o tempo de espera pelos vistos por meio do aumento de pessoal e da transferência de funcionários consulares a mercados de alta demanda. O grupo também sugere o cancelamento da entrevista pessoal para quem estiver renovando o visto, a criação de um sistema piloto de videoconferência para realizar entrevistas e a expansão do programa de isenção de visto.

Nos últimos meses, congressistas apresentaram oito projetos de lei para estimular as viagens aos Estados Unidos.

Durante entrevista, o subsecretário de Estado, Thomas R. Nides, disse que a correlação entre a emissão de visto e os gastos é indiscutível. "Estamos muito mais concentrados num diálogo contínuo" que facilitaria as viagens legítimas e o crescimento de empregos. "Mas é um ato de equilíbrio." Toda decisão "tem de ser tomada à luz da segurança nacional".

O Departamento de Estado diz que apesar do aumento da demanda _ o processamento de vistos saltou 48 por cento na China e 63 por cento no Brasil nos últimos três meses de 2011, em comparação a igual período anterior _, o tempo de espera para as entrevistas de visto diminuiu.
Enquanto isso, outros países estão cortejando agressivamente viajantes de países que não fazem parte do programa de isenção.

Em julho, o Canadá implementou vistos de entrada múltipla de dez anos para todos os países que necessitam de visto, incluindo Brasil e China, e, em agosto, anunciou a abertura de três novos centros para pedidos de vista no Brasil, segundo a Tourism Industry Association of Canada. "A política anterior era baseada em nossa visão de mundo do século XX e ela precisa evoluir", disse David F. Goldstein, presidente e CEO do órgão.

Shane Downey, diretor de política pública da Global Business Travel Association, afirmou que um discurso na recente convenção anual do grupo, em Denver, que incluiu a discussão da reforma do visto, tocou num ponto sensível. "Imediatamente começamos a receber e-mails" sobre as frustrações dos associados.
Segundo Steven Hacker, presidente da International Association of Exhibitions and Events, "quando compradores e vendedores internacionais tentam vir e não conseguem, eles vão a outros países".

Ele disse, sobre uma feira recente da Association of Equipment Manufacturers, evento trienal da indústria da construção, que, quando o pedido de visto para uma pessoa de um grande grupo foi rejeitado em cima da hora, o grupo inteiro não pôde comparecer.

Gary Shapiro, presidente da Consumer Electronics Association, disse que sua organização também perde muitos visitantes na feira anual, de mercados como a China. "Acredito que os consulados e a embaixada dos EUA na China têm sido responsivos, mas têm pouco pessoal e faltam equipamentos. Ainda assim, ficamos sabendo que muitos vistos foram negados por motivos desconhecidos."

Christopher Nassetta, presidente do Hilton Worldwide, tinha uma história similar sobre a conferência global da empresa, em 2010, em Orlando, Flórida, para milhares de proprietários do mundo inteiro representando as dez marcas do Hilton Worldwide. "Contudo, houve casos de proprietários que não puderam vir ao país."

"Não se pode jogar fora o bebê junto com a água da bacia", afirmou em referência à segurança depois dos ataques de 11 de setembro. "Necessitamos de empregos, de crescimento econômico."
Comprometer a segurança é uma preocupação grande, disse Bruce McIndoe, presidente da iJET Intelligent Risk Systems, companhia de gerenciamento de riscos de viagem. "Sempre existe uma troca, mas é possível lançar mão de processos para minimizar os riscos à segurança." Para ele, uma grande questão é que as pessoas de países que precisam de visto excedem seu tempo de duração, permanecendo nos EUA.

Entrevistas por videoconferência "seriam um bom serviço e ajudariam a facilitar o processo", ele acrescentou, mas a verificação de documentos, investigação do histórico para garantir que os visitantes voltarão para casa e consultas ao banco de dados para identificar pessoas com problemas legais ou terroristas conhecidos continuarão sendo as medidas mais críticas.

Apesar de medidas para otimizar o processo, incluindo um grande aumento de pessoal em áreas de alta demanda, elevação drástica da capacidade pela oferta de mais guichês nos escritórios e ampliação do horário de funcionamento, os desafios continuam, declarou Nides.

Por exemplo, contratar e formar funcionários consulares com o conhecimento adequado do idioma e treinamento para garantir que as "pessoas certas, pelos motivos certos" recebam vistos é um processo sofisticado e demorado. E o Departamento não apoia a videoconferência por questões de segurança e eficiência.

"Contudo, a realidade é que, hoje, temos níveis iguais ou superiores ao período anterior ao 11 de setembro", explicou Nides. "Sempre tentamos descobrir onde estão os modelos eficientes. Uma coisa bastante clara para mim é que toda decisão de visto é uma decisão de segurança nacional, motivo pelo qual é tomada de forma tão séria. Vamos retroceder se fizermos isso da forma errada."

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