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Criação de vagas é menor que o esperado para época, mas houve melhora na qualidade dos postos de trabalho

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Embora o mercado de trabalho não esteja criando tantas vagas quanto se esperava para essa época do ano, houve melhora na qualidade das vagas criadas, segundo Cimar Azeredo, gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "O mercado (de trabalho) não está absorvendo a mão de obra que se esperava, mas ele também está tendo uma qualidade que não se esperava, com a geração de mais empregos com carteira assinada", assinalou Azeredo.

Apesar de um leve recuo na taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País, que passou de 6,2% em junho para 6,0% em julho, a geração de postos de trabalho não correspondeu ao comportamento esperado para o mês. Habitualmente, há uma inflexão maior nessa época do ano, devido às contratações para dar conta de um aumento na demanda por produtos e serviços no segundo semestre do ano.

"O mercado não se aqueceu suficientemente para atender a essa demanda, essa procura por emprego", disse Azeredo. "Você ainda tem 1,4 milhão de pessoas procurando emprego e esse numero só vai ceder quando você tiver um mercado de trabalho mais aquecido para absorver essa mão de obra."

Azeredo ressaltou, porém, que o crescimento menor do emprego em 2011 em relação a 2010 não significa que o mercado de trabalho não esteja forte. "Pelos números, parece que o comportamento da geração de emprego está inferior em relação ao comportamento de 2010 frente ao ano de 2009. Mas não é verdade, porque em 2010 o Brasil estava saindo da crise, então uma recuperação maior é natural", explicou.

"Estamos no ano de 2011 em um patamar muito semelhante ao de 2010. A economia estava muito aquecida no ano passado. Então, não estamos com a economia prejudicada agora, é porque há uma elevada base de comparação. Estamos mantendo o mesmo patamar do ano passado."

Formalização

Segundo o gerente do IBGE, o aumento de 2,2% na geração de vagas com carteira assinada em São Paulo representa uma tendência de formalização do emprego. "Uma das regiões que mais geraram empregos com carteira foi a região metropolitana de São Paulo, que tem um efeito farol. O que acontece lá, depois se reflete nas outras regiões do País. Essa região é onde a indústria é mais forte, onde o rendimento é maior, então a gente pode concluir que essa melhora do emprego em São Paulo vai ser sentida também em outras regiões", avaliou Azeredo.

São Paulo também registrou aumento do rendimento médio real em julho ante junho, de 1,7%, o que sinaliza um aumento do poder de compra da população. "O mercado de trabalho pode não estar avançando significativamente como em algumas previsões, mas cresce de forma sustentável. Mas há um crescimento razoável, acompanhado de crescimento significativo da qualidade do emprego, com vagas em carteira assinada", disse o gerente do IBGE. "O mercado (de trabalho) está crescendo, está pagando mais, está contratando com mais qualidade, estimulando a formalização."

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