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Putin deve aprovar privatizações de US$59 bilhões na Rússia

Por John Bowker

MOSCOU (Reuters) - O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, deve aprovar a venda de 59 bilhões de dólares do patrimônio público da Rússia, no mais ambicioso plano de privatizações em uma década, destinado a controlar o déficit orçamentário.

Putin, político mais influente do país e pré-candidato a presidente em 2012, irá comandar nesta quinta-feira uma reunião do gabinete em que deve dar aval ao plano, que prevê a venda de 900 participações estatais em empresas nos próximos cinco anos.

Um porta-voz de Putin não confirmou se o primeiro-ministro irá aprovar o plano de privatizações ainda nesta quinta-feira, e afirmou que "o documento requer mais trabalho e o trabalho ainda continua".

A confiança dos investidores nesse plano pode ser abalada pela surpreendente exclusão da venda da participação estatal na empresta Transneft, que detém o monopólio dos oleodutos e havia sido incluída numa lista de possíveis privatizações divulgada em julho pelo Ministério das Finanças.

O vice-premiê Igor Shuvalov disse na quarta-feira à imprensa que a venda da participação estatal na Transneft não estava sendo discutida. Na quinta-feira, as ações preferenciais da empresa abriram o pregão com queda de 6 por cento.

Muitos investidores esperavam que a privatização melhorasse a gestão da empresa, que é crucial para a economia russa, levando petróleo dos campos da Sibéria para os mercados da Europa e Ásia.

No ano passado, o orçamento russo registrou seu primeiro déficit em uma década, chegando a 5,9 por cento do PIB, refletindo a queda na arrecadação, sem uma redução compatível nos gastos públicos.

A previsão é que o déficit dure mais cinco anos, ao passo que o governo não deve cortar gastos antes da eleição presidencial de 2012. Por isso, a Rússia tenta atrair investimentos internos e externos para promover o crescimento e cobrir o buraco no orçamento.

A venda de 15 por cento das ações da petroleira Rosneft reduziria a participação estatal a cerca de 60 por cento, e poderia render quase 11 bilhões de dólares aos cofres públicos.

Shuvalov disse que o plano de privatizações inclui quase 8 por cento da Rushydro e 25 por cento da empresa que monopoliza a rede ferroviária do país, a maior do mundo.

Ele acrescentou que o governo pretende vender também 30 por cento do banco VTB, o segundo maior do país, nos próximos três anos, e pode até abrir mão do controle acionário, desde que encontre investidores de qualidade.

Shuvalov disse que depois de 2015 o governo estaria preparado para perder o controle da Rosneft, da empresa de navegação Sovkomflot e da companhia aérea Aeroflot.

O vice-premiê informou também que o governo vai vender 4 por cento da FSK, de distribuição elétrica, ao valor de pelo menos 0,50 rublo por ação - o preço atual de mercado é 0,36 rublo.

(Reportagem de John Bowker, Vladimir Soldatkin e Gleb Bryansky)

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