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No discurso lido nesta quarta-feira durante o almoço em homenagem à presidente da Argentina, Cristina Kirchner, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a integração entre os dois países, lembrando que ambos têm um destino comum. Segundo Lula, a resposta à crise deve ser o intercâmbio comercial.

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AP
Cristina Kirchner e Lula durante encontro no Palácio do Itamaraty

"Nossa resposta à crise deve ser mais comércio e investimentos, mais negócios e integração produtiva. O protecionismo não é solução. Apenas cria distorções difíceis de reverter", disse.

O presidente lembrou que, em 2008, o comércio bilateral alcançou US$ 31 bilhões, "um recorde", e que a importação de bens e equipamentos brasileiros ajudou a aumentar a competitividade das exportações argentinas para o resto do mundo. "Temos o desafio de retomar e superar os níveis anteriores, demonstrando que faremos do comércio uma alavanca para retomada do crescimento", disse.

O presidente avisou ainda que "o caminho a seguir é o incremento das exportações argentinas, não a diminuição das exportações brasileiras." "Por isso, apoiamos esforços de longo prazo para aumentar a competitividade do parque produtivo argentino."

Lula lembrou que houve progresso na parceria entre os dois países. Hoje, segundo ele, é monitorado o andamento de 20 projetos em carteira, que vão da cooperação nuclear e do sistema de pagamentos em moeda local até a interconexão energética. "Tivemos notáveis avanços em setores como a livre circulação de pessoas, o financiamento de projetos de integração produtiva e a complementação na indústria naval. Mas precisamos ir mais rápido", disse.

Lula lembrou que essa reunião está acontecendo em um momento importante, porque a crise não foi totalmente dissipada. "Mas, no momento em que uma crise mundial não foi dissipada, se questiona velhos paradigmas, (o que) requer respostas inovadoras", disse.

Ele reconheceu que os dois países têm atuado juntos na esfera global, mas ressaltou que "temos também que buscar respostas bilaterais para enfrentar a crise". O presidente reiterou que interessa ao Brasil uma Argentina forte, competitiva e próspera. De acordo com Lula, essa relação em que os dois países ganham se traduz nos números do comércio, dos investimentos e da cooperação bilateral. "Nunca nossos países foram tão integrados. Nunca nossos destinos foram tão inseparáveis", disse Lula, salientando que o Brasil é o principal mercado para os produtos industrializados argentinos. "Eles representam quase 70% das exportações", afirmou. Este ano, segundo o presidente, de cada dez automóveis exportados pela Argentina, nove vieram para o Brasil.

BNDES

Lula disse ainda que o BNDES é um parceiro entusiasta dessa integração e que, desde 2005, foi desembolsado US$ 1,2 bilhão para projetos de ampliação e modernização da infraestrutura da Argentina. Ele lembrou que outro US$ 1,5 bilhão está destinado a setores prioritários, como os de gasodutos, saneamento e abastecimento de água. Restam ainda US$ 4,5 bilhões referentes a operações em exame. Segundo Lula, esses números "não deixam dúvidas de que continuamos a apostar no extraordinário potencial da Argentina e de nossa parceria".

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