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Por Doug Palmer e William Schomberg GENEBRA, Suíça (Reuters) - Os Estados Unidos tentaram dar prosseguimento aos esforços para salvar um acordo sobre o comércio mundial oferecendo, na terça-feira, diminuir o teto dos seus polêmicos subsídios agrícolas, mas os principais países em desenvolvimento consideraram a medida insuficiente.

A representante de comércio do governo norte-americano, Susan Schwab, anunciou que seu país está pronto para limitar os subsídios a um total de 15 bilhões de dólares ao ano desde que países como o Brasil e a Índia também façam concessões para salvar as negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC).

'Essa é uma importante medida, feita de boa fé na expectativa de que outros agirão de forma semelhante e se apresentarão para melhorar as ofertas sobre o acesso aos mercados', afirmou Schwab a repórteres.

A manobra vinda da parte dos norte-americanos, aguardada havia muito tempo, surgiu em meio a uma semana de esforços feitos por ministros do Comércio para garantir um acordo sobre os produtos agrícolas e manufaturados -- as questões centrais da atual rodada de negociações de Doha, iniciada pela OMC sete anos atrás.

Os países em desenvolvimento reclamam há muito tempo do volume enorme de subsídios pagos pelos EUA, o que expulsaria seus agricultores do mercado, diminuindo a oferta de alimentos e contribuindo para a recente disparada dos preços globais.

No entanto, os preços altos fizeram com que o governo norte-americano diminuísse os gastos com programas agrícolas criados para incentivar a produção -- e que distorcem o comércio -- para cerca de 7 bilhões de dólares no ano passado, bem abaixo dos 48,2 bilhões de dólares permitidos atualmente pelas regras da OMC.

Schwab disse que a oferta desta terça-feira demandaria do Congresso norte-americano que reforme as leis do setor agrícola. O presidente dos EUA, George W. Bush, vetou em 2008 uma lei que aumentava os subsídios, mas acabou vendo sua medida derrubada pelos congressistas.

Tom Harkin, chefe do Comitê Agrícola do Senado dos EUA, recebeu bem a manobra feita pelo governo norte-americano, afirmando em um comunicado que isso demostra a disposição dos EUA para negociar com boa fé e completar a rodada. Harkin ressaltou, porém, que outros países deveriam agora fazer concessões também.

Destacando o valor da nova oferta, Schwab disse que os subsídios pagos pelos EUA haviam sido de 18,9 bilhões de dólares em 2005 e de quase 25 bilhões de dólares em 1999 e em 2000, isso antes da disparada do preço dos alimentos.

A manobra, no entanto, não impressionou todas as nações de peso que participam da Rodada de Doha -- países fundamentais para garantir que um acordo seja selado nesta semana, evitando que as negociações sejam suspensas, provavelmente por alguns anos.

'Minha resposta imediata é de que isso não passa pelo 'teste da risada'', afirmou uma importante autoridade indiana à Reuters.

O Brasil defendeu a realização de cortes maiores. 'Este é apenas o segundo dia de conversas. Imaginamos então que há espaço de manobra para reduções mais profundas', disse um diplomata brasileiro.

O Brasil e a Índia são peças-chave para o processo porque os EUA e a União Européia exigem que as grandes economias em desenvolvimento abram seus mercados para produtos manufaturados e agrícolas em troca de reformarem seu setor agropecuário.

A UE disse que a oferta norte-americana é razoável, mas que poderia ser melhorada caso as negociações desta semana avancem.

(Reportagem adicional de Jonathan Lynn e Laura MacInnis)

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