Tamanho do texto

Antônio da Silva Nobre, de 64 anos, escapou da polêmica sobre as possíveis mudanças nas atuais regras da aposentadoria brasileira. Desde o mês passado, o ex-zelador passou a fazer parte do universo dos aposentados.

O cearense, que vive em São Paulo desde 1972, contribuiu com a Previdência por 35,2 anos e, a partir de agora, receberá R$ 1.953 do Instituto Nacional de Previdência Social (INSS).

"Há dois anos eu tive a ideia de parar de trabalhar e fui até uma agência do INSS para saber quanto ganharia. Calcularam que seria uns 70% do que eu consegui atualmente. Sugeriram que eu contribuísse por mais um tempo e foi o que eu fiz", conta Nobre.

Segundo o consultor previdenciário Renato Follador, no caso do zelador aposentado a regra dos 85/95 não seria vantajosa. Segundo cálculos, Nobre teria uma perda de remuneração e passaria a receber do INSS por volta de R$ 1,8 mil.

O projeto do deputado federal Pepe Vargas (PT-RS), chamado fator 85/95, prevê que a soma da idade do trabalhador e do tempo de contribuição alcance 85 no caso das mulheres e 95 no caso dos homens para que o valor pago pela Previdência seja 100% da médias dos salários de contribuição.

A situação de desvantagem de Nobre, segundo Follador, se repetiria no caso da aposentada Mary Maurício Lima, de Fortaleza. Ela tem 63 anos e se aposentou aos 55 anos, depois de 38 anos de contribuição. A ex-secretária recebe em torno de R$ 2,5 mil. Mas a aposentadoria de Mary seria menor, explica Follador, se ela tivesse se submetido ao fator 85/95.

José Cechin, ex-ministro da Previdência e sócio do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), avalia que um dos problemas em torno da polêmica do fator previdenciário é que o governo, desde a sua criação, não conseguiu "explicar que não se trata de algo ruim, injusto. A sociedade nunca soube direito do que se tratava e agora o novo projeto tem chances de emplacar", diz.

Para Luiz Eduardo Afonso, professor da Universidade de São Paulo, caso a regra do 85/95 passe pelo Congresso, será necessário ter uma regra de transição: "Do contrário, corre-se o risco de uma enxurrada de reclamações na justiça de quem se sentir prejudicado com a regra atual ou com a 85/95. Representaria o risco de um passivo enorme ao País". As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.