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No auge da crise, entre 2008 e 2009, benefícios fiscais e vales-alimentação ajudaram 250 mil pessoas na cidade

Distribuição de sopa para pessoas carentes em Nova York: programas sociais impediram que 250 mil pessoas caíssem na pobreza na cidade entre 2008 e 2009
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Distribuição de sopa para pessoas carentes em Nova York: programas sociais impediram que 250 mil pessoas caíssem na pobreza na cidade entre 2008 e 2009

Sem os vales-alimentação e benefícios fiscais para famílias de baixa renda, cerca de 250 mil nova-iorquinos teriam caído na pobreza no auge da recessão, segundo cálculos que foram divulgados por oficiais da cidade na segunda-feira. A taxa de pobreza da cidade medida pelo governo federal permaneceu quase a mesma entre 2008 e 2009, em torno de 17,3%, mas, de acordo com uma medição feita pelo município, ela subiu para 19,9%.

A cidade leva em conta fatores que o padrão federal não considera, como o maior custo de vida local e despesas com saúde, transporte e creches, ou o valor de benefícios como vale-alimentação, subsídios de habitação e créditos tributários que podem complementar a renda.

"Os programas de estímulo econômico e iniciativas políticas destinadas a reforçar a renda familiar conseguiram impedir o aumento da pobreza na cidade de Nova York", de acordo com o relatório do Centro de Oportunidades Econômicas da prefeitura.

"Nem todos os programas de combate à pobreza cumprem suas metas e merecem ser protegidos", afirmou o relatório de Mark Levitan, diretor do centro de pesquisa da pobreza. "Mas os pedidos de cortes generalizados de programas que ajudem as famílias de baixa renda não podem ser justificados pela afirmação de que quando se trata de pobreza, ’nada funciona’”.

O centro concluiu que a taxa de pobreza teria aumentado três pontos percentuais sem programas de incentivos fiscais aprovados em 2009 para famílias de baixa renda da cidade e um programa agressivo para inscrever os nova-iorquinos que não estavam recebendo assistência pública, mas eram elegíveis para o vale-alimentação, por exemplo.

O número de pessoas que recebem o vale-alimentação cresceu 13,2%, ou mais de 100 mil, entre 2008 e 2009 (e quase 29% das famílias são compostas pelos dois pais). Com mais destinatários e maiores benefícios, o valor do vale-alimentação recebido por moradores da cidade teve um aumento de quase 39% entre 2008 e 2009, chegando a US$ 1,9 bilhão.

Diferenças entre grupos

Um olhar mais profundo nas taxas de pobreza mostrou que diferentes grupos se saíram pior do que outros. Entre 2008 e 2009, a taxa de pobreza subiu de 31% para 35% entre as famílias de pais solteiros e também subiu, entre 19,9% e 21,7%, entre os adultos em idade de trabalho com apenas o ensino médio.

A taxa variou de 13,5% entre os brancos não-hispânicos a quase 25% entre os hispânicos e asiáticos nova-iorquinos - os dois grupos têm a maior proporção de imigrantes que não poderiam participar de programas sociais que exigem a cidadania americana.

Levitan explicou que os asiáticos têm, frequentemente, "questões culturais que os impedem de aceitar qualquer tipo de assistência”. A taxa de pobreza entre os negros foi de 21,1% nesse período.

Em 2009, o limiar oficial da pobreza para uma família composta por dois adultos e duas crianças foi de US$ 21.756. Na média, para uma família similar que vive em Nova York, o limite foi de US$ 29.477.

Intitulado "A Política Afeta a Pobreza", o relatório é o terceiro realizado pelo centro, que foi criado pelo prefeito Michael Bloomberg para desenvolver um meio mais moderno para medir a pobreza do que os critérios oficiais do governo federal, que datam de meio século atrás.