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Produtos exóticos diversificam marca "made in Brazil" no mundo

País é exportador de itens como baralho, chicletes, cabelo e tapioca; lista tem 18 produtos e US$ 31 milhões movimentados

Klinger Portella, iG São Paulo |

Fogos de artifício, tapioca, fio dental, baralho, chicletes e cabelos “made in Brazil”. O processo de diversificação da pauta de exportações no País tem aberto portas para que produtos pouco convencionais busquem mercado fora das fronteiras brasileiras. A lista de produtos exóticos exportados do Brasil cresce. Levantamento realizado pelo iG com base nos números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) mostra que nos dois primeiros meses deste ano pelo menos 18 produtos peculiares voltaram ou ingressaram pela primeira vez na lista de exportações do País para os mais diversos destinos do mundo.

A lista considera itens que tiveram exportação zero em 2010 e que, neste ano, retomaram ou iniciaram as exportações. Ao todo, esses produtos geraram US$ 31 milhões (cerca de R$ 50,6 milhões) à balança comercial brasileira nos dois primeiros meses de 2011. O campeão das vendas é o item bombons, caramelos, confeitos e pastilhas, sem cacau, que movimentou US$ 14,7 milhões no primeiro bimestre de 2011. Em seguida, aparecem aparelho de barbear não elétrico (US$ 12,7 milhões) e desodorantes (US$ 8 milhões).

Curiosidades "made in Brazil"

Confira o volume exportado de alguns produtos exóticos em 2011

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Fonte: MDIC

 

Mas a relação de produtos exóticos conta, ainda, com itens como chiclete, chocolate recheado, farinha láctea, doce de leite, tapioca, torradas, pão de forma, fio dental, fogos de artifício, coletes salva-vida, cabelo, baralho, escova de dente, canetas esferográficas e antiguidades com mais de 100 anos. Todos com a etiqueta “made in brazil”.

“O Brasil tem uma indústria muito diversificada e tem condições de suprir o mundo com uma variedade bem grande de produtos”, diz Fábio Martins Faria, vice-presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

O volume exportado desses produtos não chega nem perto dos grandes players exportadores do Brasil – em geral, commodities como minério de ferro, petróleo e café, que movimentam cifras na casa dos bilhões de dólares por mês -, mas a diversificação das exportações pode fortalecer a marca dos produtos brasileiros mundo afora.

Tapioca “to Portugal”

Com praticamente 10 mil quilos exportados entre janeiro e fevereiro deste ano, que movimentaram US$ 123,6 mil, a tapioca é um dos itens que figura na pauta de exportações brasileiras. O produto – conhecido por grande parte da população – começa a ganhar espaço no cardápio internacional. Ainda timidamente, claro.

Divulgação
A tradicional tapioca "Romeu e Julieta", com queijo e goiabada
Responsável pelas exportações de tapioca das Indústrias Granfino, no Rio de Janeiro, José Batista de Oliveira Filho diz que as exportações do produto representam cerca de 1% das operações da companhia com o exterior. “Nosso forte é farinha de mandioca”, afirma.

Apesar do volume baixo exportado – no ano passado, os embarques de tapioca renderam US$ 1,5 mil ao grupo -, não faltará oferta aos interessados, garante Oliveira. O produto exportado é a matéria-prima da tapioca. O recheio fica por conta do cliente.

“Quem compra tapioca é um cliente nosso em Portugal. Exportamos em saco de 25 quilos e, às vezes, já embalado com a nossa própria marca”, diz Oliveira, que cobra cerca de US$ 31 o saco de tapioca para o mercado externo.

Segundo o analista de exportação da Granfino, o cliente português compra tapioca há dez anos com duas finalidades. A primeira, atender aos brasileiros que moram no país. A segunda, revender o produto para outros destinos no mercado europeu.

Cartas na mesa

Se a tapioca não é o principal produto de exportação das Indústrias Granfino, o mesmo não pode-se dizer dos embarques da Copag, maior fabricante de baralhos do Brasil. As vendas para o mercado internacional respondem, atualmente, por cerca de 15% do faturamento da empresa.

A Copag iniciou a exportação de baralhos há 16 anos, em volume tímido. A partir de 2004, os embarques ganharam força e, no ano seguinte, após a fusão com o grupo internacional Cartamundi, o mercado internacional ganhou novos contornos para a companhia brasileira. “A fusão nos projetou de forma muito interessante”, diz Marta Mateus, diretora de exportação da Copag.

Atualmente, os baralhos da marca chegam a 140 países, indiretamente. Segundo Marta Mateus, a unidade brasileira exporta diretamente para 20 países, com foco nas operações da América Latina. “Hoje, respondemos por cerca de 70% do mercado de cassinos na região”, afirma.

Na lista do MDIC, as cartas “made in brazil” chegaram a países como Angola, Bolívia, Canadá, Equador, Estados Unidos, Peru, Reino Unido e Uruguai nos dois primeiros meses deste ano, movimentando US$ 156,4 mil no período.

Em tempos de real valorizado frente ao dólar, os ganhos com a exportação de baralhos ficam menores, mas não deixam de ser atrativos. “Prejuízo não dá, mas as margens são pequenas. De qualquer forma, a Copag enxerga o mercado internacional como um investimento”, completa Marta Mateus.

Competitividade

Segundo Fábio Martins Faria, da AEB, o potencial exportador brasileiro é alto, mas fatores limitantes fazem com que a diversificação da pauta fique mais restrita. “O câmbio, a estrutura tributária e a deficiência da infraestrutura são fatores que limitam a competitividade do produto brasileiro.”

nullPor conta disso, diz ele, as exportações de produtos que não estão entre os tops na lista brasileira se resumem a ganhos de oportunidade. “Essas vendas devem ser para alguns mercados específicos que aproveitaram oportunidades de negócio”, afirma. “O ideal seria que tivéssemos uma situação de câmbio mais favorável.”

O executivo da AEB diz ainda que, vencidos os entraves conjunturais, o desafio para o exportador brasileiro é estabelecer um bom canal de distribuição no mercado internacional. “Produtos que vão para o consumidor final têm de conseguir, primeiro, uma marca que seja aceita e, segundo, desenvolver bem os canais de distribuição para chegar ao público”, completa.

 

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