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Cerca de 400 produtores de trigo bloquearam ontem a cabeceira do lado brasileiro da Ponte da Integração, entre São Borja, no Rio Grande do Sul, e Santo Tomé, na Argentina, para pedir a suspensão da importação do cereal. Os manifestantes também querem o aumento da tarifa externa comum do Mercosul para o produto, dos atuais 10% para 35%, e liberação de mecanismos de comercialização da safra, como Aquisições do Governo Federal, Empréstimos do Governo Federal e Prêmios para Escoamento de Produção.

Coordenado pelo Sindicato Rural de São Borja, com apoio da Federação da Agricultura no Rio Grande do Sul (Farsul), o protesto começou às 10h30 e terminou ao meio-dia, período em que se formou engarrafamento de veículos que esperavam para atravessar a fronteira. No restante do dia, manifestantes distribuíram panfletos aos motoristas que trafegavam entre o Brasil e a Argentina, mas não voltaram a interromper a passagem.

Segundo avaliação da Farsul, os cerca de 50 mil triticultores do Rio Grande do Sul não estão conseguindo comercializar a safra de 1,7 milhão de toneladas que começaram a colher há poucos dias.

O mercado interno não está comprador porque a indústria moageira e o governo federal têm produtos estocados em seus armazéns. Além disso, o câmbio favorece a importação de países do Mercosul e também do Canadá e Estados Unidos.

"Plantamos com a perspectiva de vender a tonelada a R$ 730 e o preço não passa de R$ 450", compara Pablo Silva, vice-presidente do Sindicato Rural de São Borja.

"O produtor anda atrás de compradores, ofertando a qualquer preço, porque está desesperado para poder formar as safras de verão, de milho e soja", observa o presidente da Comissão de Trigo da Farsul, Hamilton Jardim.

A categoria acredita que o atendimento às suas reivindicações fará o preço da saca de 60 quilos de trigo subir da cotação atual, de R$ 22 a R$ 24, para valores que pelo menos cubram o custo de produção, estimado entre R$ 28 e R$ 30.

A oferta é excessiva apenas para o momento. O Brasil não é autossuficiente na produção de trigo. O País colhe cerca de 5 milhões de toneladas por ano e importa outras 5 milhões de toneladas, a maior parte da Argentina. "Essas compras do exterior deveriam ser feitas na entressafra, daqui a seis meses", sugere Silva.

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