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Após três recuos mensais consecutivos, a produção da indústria paulista deve subir 5,7% em janeiro, na comparação com o mês anterior. É o que mostra o Sinalizador da Produção Industrial (SPI) de São Paulo, divulgado ontem pela FGV.

Em dezembro, o sinalizador teve queda de 13,5% em comparação com novembro, na série com ajuste sazonal, enquanto a produção de São Paulo apresentou recuo de 14,9%, de acordo com dados regionais oficiais do IBGE.

Na comparação com janeiro de 2008, o sinalizador recuou 14,9%, variação muito próxima à de dezembro, quando o indicador caiu 14,5% em relação a igual período de 2007.

Segundo o coordenador do indicador, que é fruto de parceria da FGV com a AES, Paulo Picchetti, a retomada da produção pela indústria para recompor os estoques está entre os fatores que levaram ao dado positivo em janeiro, depois da queda acentuada do mês anterior. Ele classifica o movimento, porém, como algo marginal. "Não podemos nos enganar com este crescimento de 5,7% para depois não sofrer uma rasteira da produção industrial."

Picchetti reconhece que a indústria, especialmente a do setor de automóveis, interrompeu a produção em dezembro quando se viu às voltas com um nível de estoques indesejável. Agora, o setor opera para se recuperar, mas dentro de um cenário envolto por muitas incertezas.

"É verdade que a indústria, em especial a automotiva, voltou a produzir. Mas temos de deixar claro que o setor como um todo perdeu a referência de qual será daqui para frente o patamar de produção. A indústria está tateando o mercado para tentar encontrar qual será o novo nível de produção e estoque", diz Picchetti, cauteloso.

As vendas de automóveis que levaram à redução dos estoques nos pátios das montadoras, segundo o coordenador do SPI, foram estimuladas pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Ocorre que a vigência do benefício termina em março. Esse prazo, afirma o economista da FGV, é mais um fator que sustenta as incertezas da indústria quanto ao real nível de produção numa economia afetada pela crise econômica mundial.

"Esta melhora do SPI em janeiro é quase nada porque leva o índice da produção da indústria paulista ao mesmo patamar de 2006, quando o setor iniciou a trajetória de crescimento. Só para se ter uma ideia, no acumulado de 12 meses encerrados em dezembro, o SPI acumulava um crescimento de 5,30%. Em janeiro, esta taxa caiu para 3,10%", diz Picchetti. Ele lembra que uma desaceleração da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) paulista nesta magnitude só se viu em 1996 e 1998, nas crises econômicas da Ásia e da Rússia. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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