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Queda foi de 3,4% em relação ao mesmo mês do ano passado; resultados ficam abaixo do esperado por economistas

AE
Baque na indústria automotiva: atividade 30,7% menor em janeiro por férias coletivas
A produção industrial brasileira caiu 2,1% em janeiro ante dezembro, a maior redução mensal desde dezembro de 2008 -- no auge da crise financeira global.

Na comparação com janeiro de 2011, a produção no primeiro mês de 2012 diminuiu 3,4%, a menor taxa anualizada desde setembro de 2009, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.

Já a baixa de 2,1% em relação a dezembro, na série livre de influências sazonais, vem logo após taxas ligeiramente positivas em novembro (0,1%) e em dezembro (0,5%).

A taxa anualizada, índice acumulado nos últimos doze meses, em trajetória descendente desde outubro de 2010 (11,8%), assinalou em janeiro de 2012 (-0,2%) o primeiro resultado negativo desde março de 2010 (-0,3%).

Ainda na série com ajuste sazonal, na evolução do índice de média móvel trimestral, o total da indústria mostrou queda de 0,5% em janeiro de 2012 frente ao patamar de dezembro de 2011 e permaneceu com o comportamento predominantemente negativo observado desde maio de 2011.

Produção Industrial

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IGBE

Dados piores que previsões

A queda do ritmo de produção no País surpreende, dizem os economistas do Banco Fator e da Gradual Investimentos. "Os dados da Produção Industrial no Brasil foram decepcionantes," comenta André Perfeito, economista chefe da Gradual.

A expectativa de economistas consultados pela agência Reuters e pela Bloomberg era de uma queda de 0,80% em janeiro sobre dezembro, segundo a mediana das projeções.

Para a comparação com janeiro do ano passado, a previsão era de queda de 1,5% para os especialistas consultados pela Reuters e de 1,4% para o consenso do mercado formulado pela Bloomberg.

Motivos para a queda

Segundo o IBGE, o declínio de 2,1% da atividade industrial na passagem de dezembro de 2011 para janeiro de 2012 pode ser explicada em grande parte pelo recuo na produção de 14 dos 27 ramos investigados, com destaque para o impacto negativo vindo de veículos automotores (-30,7%), pressionado principalmente pela concessão de férias coletivas que atingiu várias empresas do setor.

Outras contribuições negativas relevantes sobre o total da indústria vieram de indústrias extrativas (-8,4%), equipamentos de instrumentação médico-hospitalares, ópticos e outros (-26,3%), que devolveu parte do crescimento de 28,0% assinalado em dezembro último, bebidas (-7,7%), máquinas para escritório e equipamentos de informática (-12,2%), produtos de metal (-6,1%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-6,1%).

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