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Por Pedro Fonseca RIO (Reuters) - A produção de aço no Brasil em 2010 deve apresentar forte recuperação em relação à queda registrada este ano em decorrência da crise econômica global, tendo como mola de impulso os primeiros efeitos de atividades relacionadas a eventos especiais, como a Copa do Mundo de 2014, os Jogos Olímpicos de 2016 e o avanço do setor de petróleo e gás.

De acordo com o Instituto Aço Brasil (IABr), a produção de aço no país deve crescer 24,2 por cento em 2010, para 33,1 milhões de toneladas, ante uma produção de 26,7 milhões de toneladas estimadas para este ano --o que representa uma queda de 20,8 por cento na comparação com 2008.

O IABr também aposta numa recuperação do consumo de aço no mercado interno para o próximo ano. A previsão é de alta de 21,6 por cento, para 22,9 milhões de toneladas, o que representaria um retorno aos níveis de 2007. Para este ano, a estimativa do consumo é de 18,8 milhões de toneladas, ante consumo recorde em 2008 de de 24 milhões de toneladas.

"Com a queda no consumo, o Brasil voltou a perder o patamar de mais de 100 quilos de aço consumido por habitante, uma barreira vencida em 2008 após 26 anos de estagnação, mas que não foi sustentada devido à crise", disse nesta quarta-feira o presidente do IABr, Flávio Roberto Silva de Azevedo. Segundo ele, na China, por exemplo, o consumo por habitante está na ordem de 300 quilos.

Segundo o IABr, a realização da Copa, da Olimpíada do Rio e a necessidade de aço para os projetos de petróleo e gás vão causar um aumento de demanda da ordem de 1,1 milhão de toneladas de produtos siderúrgicos por ano no período de 2009 a 2016, o que seria atendido com tranquilidade pela capacidade instalada da industria nacional.

Atualmente, apenas metade da capacidade instalada de aço produto no Brasil é consumidada pelo mercado interno, o que deve se repetir em 2010, segundo a entidade. Nesse cenário, uma preocupação do setor é a valorização do real frente ao dólar, que reduz a competitividade do aço brasileiro no exterior.

A previsão da entidade é que o Brasil venderá 16 por cento mais aço ao exterior no ano que vem, chegando a 11 milhões de toneladas.

Segundo o IABr, em 2010 serão retomados investimentos em projetos de expansão em siderurgia que foram adiados devido à crise econômica global.

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