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SÃO PAULO - O desempenho negativo dos papéis da Petrobras foi o fator decisivo para o fechamento do pregão desta segunda-feira. O Ibovespa inaugurou maio com queda de 0,61%, aos 67.

119 pontos. O giro financeiro atingiu R$ 6,534 bilhões. As ações da Petrobras lideraram as perdas do índice. Os papéis PN giraram R$ 918,4 milhões e despencaram 3,96%, a R$ 31,50, na menor cotação desde o dia 1º de setembro de 2009. Já as ações ON cederam 4,19%, a R$ 35,40. As incertezas em relação à empresa ganharam um novo capítulo com a decisão da Petrobras de realizar uma oferta pública para capitalizar a companhia, em vez da anteriormente anunciada operação privada. Hoje, a Petrobras esclareceu ao mercado que ainda não foram concluídos os processos que levarão a definição dos valores da capitalização, da cessão onerosa ou do plano de negócios. Além disso, o rebaixamento da recomendação do JPMorgan Chase & Co. para os papéis da empresa, de"overweight"(acima da média do mercado) para"neutral", contribuiu para derrubar ainda mais as ações da estatal. O preço-alvo para os American Depositary Receipts (ADRs) da Petrobras ao fim de 2010 caíram de US$ 57,00 para US$ 48,00. Já o preço-alvo para as ações ON diminuiu de R$ 51,00 para R$ 43,00, e para os papéis PN recuou de R$ 46,00 para R$ 39,00. "A Petrobras foi o grande motivo para a queda do Ibovespa hoje, já que continua sem uma definição para sua capitalização. Vemos uma saída do estrangeiro dos papéis, porque a indefinição desagrada este tipo de investidor, principalmente, que gosta de regras claras", comentou o assessor de investimentos da corretora Souza Barros, Luiz Roberto Monteiro. Entre as maiores quedas do Ibovespa ainda figuraram outros papéis de peso sobre o índice. Enquanto as ações ON da Vale caíram 2,48%, para R$ 51,78, os papéis PNA cederam 2,53%, para R$ 45,35, com giro de R$ 1,089 bilhão. A empresa anunciou que, apesar de deter ativos de classe mundial para produção de matérias-primas do alumínio - bauxita e alumina -, transferiu ao grupo norueguês Norsk Hydro ASA todas as suas operações do setor de alumínio no Brasil por se ver sem potencial de crescimento na cadeia de fabricação do metal devido à falta de acesso a fontes de energia de baixo custo. Em troca, a companhia brasileira vai receber US$ 1,1 bilhão em dinheiro e ações que vão lhe garantir 22% do capital da Hydro, tornando-se seu segundo maior acionista. A norueguesa assume também uma dívida US$ 700 milhões. O valor total da operação é avaliado em US$ 4,9 bilhões. Também estiveram entre os destaques negativos da jornada as ações PNB da Eletropaulo, que recuaram 3,33%, a R$ 33. No sentido oposto, figuraram entre as maiores altas do Ibovespa os papéis ON da Sabesp, com valorização de 4,88%, a R$ 35,01, e ações do setor de construção. Antes de publicar seu balanço trimestral, os papéis ON da Gafisa subiram 4,81%, para R$ 12,41, enquanto, enquanto Cyrela Realty ON avançou 4,77%, para R$ 21,5, e Rossi Residencial teve ganhos de 3,71%, a R$ 13,12. A Bovespa teve um desempenho oposto ao do mercado americano. Em Wall Street, o índice Dow Jones registrou alta de 1,30%, aos 11.152 pontos, enquanto o Nasdaq teve ganhos de 1,53%, para 2.499 pontos, e o S & P 500 avançou 1,31%, aos 1.202 pontos. Indicadores melhores que o previsto nos Estados Unidos, como da atividade industrial americana, a fusão entre a United e a Continental Airlines e a resolução do plano de socorro financeiro à Grécia contribuíram para as compras nesse mercado. Os países da zona do euro concordaram no fim de semana em ajudar a Grécia com 80 bilhões de euros nos próximos três anos, enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) contribuirá com 30 bilhões de euros. Na agenda de amanhã, destaque para os indicadores americanos de encomendas industriais e vendas de imóveis pendentes, relativos a março. No Brasil, será divulgada a produção industrial do terceiro mês do ano. (Beatriz Cutait | Valor)

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