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SÃO PAULO - Os presidentes das operadoras de telefonia móvel revelaram hoje opiniões distintas acerca da proposta aventada na última segunda-feira pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, de que essas empresas forneçam serviços sociais como contrapartida para a manutenção da taxa de remuneração da rede móvel, conhecida pela sigla VU-M. Discussão já antiga, a VU-M é paga sempre que um cliente de uma operadora fixa ou móvel liga para telefone celular, ou seja, faz uso da rede das operadoras móveis.

A queixa das fixas é que os recursos oriundos dessa taxa -considerada alta e que representa entre 35% e 39% da receita líquida das operadoras móveis - são utilizados para incentivar o uso do celular, em detrimento dos telefones fixos.

De seu lado, as móveis afirmam que a receita da VU-M é de fundamental importância para a manutenção dos investimentos dessas empresas em expansão da capacidade de cobertura. O argumento é que, diferente das fixas, elas atuam em um ambiente de forte concorrência.

Mesmo assim, o presidente da Vivo, Roberto Lima, avaliou como "interessante" a proposta do ministro. Para ele, a disposição em discutir a questão já demonstra que o governo está aberto a encontrar uma solução para o tema, uma "compensação que reconheça a importância do setor" de telefonia móvel.

"Mas continuo defendendo a VU-M, pois a necessidade de investimento das operadoras móveis é maior que a das fixas", ponderou o executivo.

Por sua vez, o presidente da Oi (ex-Telemar), Luiz Eduardo Falco, se mostrou favorável à redução da taxa. Ocorre, no entanto, que a companhia atua tanto no mercado móvel quanto no fixo, ou seja, também tem que pagar a VU-M.

"Para mim, é óbvio que as operadoras (móveis) defendam a VU-M. É uma receitinha fácil, com a qual subsidiam os ricos. Nós estamos fora desse modelo de negócio e, até agora, com sucesso. Para nós a redução do custo de interconexão é uma coisa tardia, que deveria ocorrer o mais rápido possível", afirmou Falco.

Já o presidente da Claro, João Cox, economizou no discurso, afirmando desconhecer o texto oficial da proposta do ministro. Contudo, disse ver com estranheza o fato de as operadoras móveis, que convivem com forte concorrência, terem que trocar uma receita assegurada (da VU-M) pelo custo das eventuais contrapartidas sociais.

"Eu tenho que ver essa proposta, porque tenho certeza que há outros elementos que não foram citados pelo ministro. Por isso, não tenho como opinar", completou o executivo.

(Murillo Camarotto | Valor Online e Talita Moreira | Valor Valor Econômico, para o Valor Online)

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