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Miami, 2 out (EFE).- O presidente da República Dominicana, Leonel Fernández, afirmou hoje em Miami, que a atual crise financeira americana é a mais severa e profunda registrada desde a Grande Depressão de 1929.

As declarações do chefe de Estado foram feitas após um almoço realizado na 12ª edição da Conferência das Américas, organizada pelo jornal "The Miami Herald", que termina amanhã, e na qual estão presentes empresários e líderes políticos da América Latina, do Caribe e dos Estados Unidos.

Para Fernandez, trata-se de uma crise que atingiu os mercados financeiros internacionais e gerou uma "grande incerteza", responsável pela "angústia e a ansiedade" detectada na América Latina.

"Estamos em um momento decisivo da história contemporânea.

Falamos de quatro ou cinco crises simultâneas", disse o presidente, explicando que esta seria uma crise com reflexos nos setores energético, de meio ambiente e de alimentos.

Fernandez ainda lembrou que a força financeira dos EUA é um fator importante para o bom desempenho da economia de seu país.

Ele destacou que 85% das exportações dominicanas têm como destino os EUA, principalmente o estado da Flórida, de quem a ilha caribenha era - até ser desbancada pela China - o segundo parceiro comercial, com um total de transações em torno de US$ 8 bilhões anuais.

Segundo Fernandez, os analistas e os meios de comunicação não destacaram que um dos principais motivos desta crise combinada é, em grande parte, a "insensibilidade, a cobiça e a avareza" dos especuladores, a quem, afirmou, "é preciso pôr um freio".

Sobre a crise energética, o chefe de Estado afirmou que o preço do petróleo teve um impacto "severo" no bom desempenho da economia dominicana, que registrou em 2007 um crescimento de 9,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

Ele denunciou a "insensibilidade alarmante" dos especuladores de "não perceber o impacto que isto está tendo no bem-estar e no progresso da América Latina e do Caribe, regiões que não são produtoras, mas importadoras de petróleo".

Quanto à crise alimentícia, Fernandez afirmou que a alta do preço do arroz, da soja e do milho não se deve exclusivamente ao aumento da demanda por parte dos países asiáticos.

Para ele, a culpa da alta destes produtos é dos "mercados de capitais e há especulação excessiva tanto na compra quanto na venda". EFE emi/rb/plc

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