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Teerã, 16 mar (EFE).- O presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, advertiu ao presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, de que poderia ter violado a Constituição com sua recente repreensão à Câmara.

No domingo passado, Ahmadinejad enviou uma carta a Larijani na qual advertia de que a decisão da Assembleia de emendar o orçamento geral para o novo ano apresentado pelo Governo era inconstitucional.

Em carta publicada hoje pela imprensa iraniana, o presidente do Parlamento respondeu que é o próprio presidente quem pode ter violado a Carta Magna.

"De acordo com o artigo 57 da Constituição, os três órgãos de poder da República Islâmica devem atuar de forma independente", afirma Larijani.

"Além disso, só o Conselho de Guardiães tem poder para interpretar a Carta Magna, portanto se o presidente se envolve nestes temas, está atuando contra a lei", adverte.

Na carta, que, segundo a imprensa, ocupa três páginas, Larijani se atreve inclusive a criticar o polêmico plano de desenvolvimento econômico ocasionado pela disputa entre o Executivo e o Legislativo.

Embora um dos principais objetivos mencionados pelo plano seja a preocupação com os setores menos privilegiados da sociedade, a experiência e as teorias econômicas demonstram que os pobres e aqueles que vivem em áreas rurais seriam os mais vulneráveis perante o plano do Governo, afirma.

Em fevereiro, Ahmadinejad apresentou um orçamento para o novo ano persa - que começa no 21 de março - que incluía um plano para cortar parte dos subsídios e substituí-los por ajudas diretas com dinheiro para os mais desfavorecidos.

Na terça-feira passada, o Parlamento iraniano ratificou o orçamento após essa polêmica proposta ser retirada.

Para que possa entrar em vigor, o orçamento deve agora ser aprovado pelo poderoso Conselho de Guardiães, órgão integrado por 12 membros que tem como missão zelar para que todas as decisões do regime se amoldem às normas da República Islâmica. EFE jm/db

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