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César Muñoz Acebes Washington, 20 out (EFE).- O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Ben Bernanke, deu hoje pela primeira vez o seu apoio a um novo pacote de estímulo fiscal para resistir à vulnerabilidade da maior economia do mundo.

Bernanke apresentou ao Comitê Orçamentário da Câmara de Representantes (deputados) uma visão de uma economia em desaceleração, embora não tenha dito em recessão, e deixou entrever uma possível redução de juros na próxima semana.

"Com a probabilidade de que a economia siga frágil por vários trimestres e um certo risco de uma desaceleração prolongada, parece apropriado que o Congresso considere um pacote fiscal nesta conjuntura", disse Bernanke.

Sua declaração supõe um respaldo-chave aos democratas, que pressionam o Governo a dar um segundo empurrão fiscal à economia.

A Bolsa de Nova York respondeu em alta aos comentários de Bernanke e às 16h30 (horário de Brasília), o índice Dow Jones subia 2%.

No começo do ano, Bernanke apoiou o envio à maioria dos americanos de um cheque de US$ 600 como forma de fomentar o consumo, entre outras medidas incluídas em um programa que custou US$ 168 bilhões.

O peso do chefe de o Fed foi crucial, então, para aplacar as objeções de alguns conservadores, e os democratas esperam que a declaração de hoje surta o mesmo efeito.

Bernanke "acrescentou sua voz ao coro de economistas, analistas e políticos que insistem em que os Estados Unidos necessitam de um pacote de resgate que crie empregos", afirmou em comunicado Nancy Pelosi, a presidente da Câmara de Representantes.

Em setembro, essa Câmara aprovou um programa de gasto fiscal extraordinário de US$ 61 bilhões de dólares, mas o Senado não o aprovou.

A Casa Branca se opôs à medida, com o argumento de que investimentos em infra-estrutura propostos pelos democratas não estimularão a economia.

Hoje, adotou um tom diferente, após as palavras de Bernanke. Dana Perino, a porta-voz presidencial, declarou que George W. Bush está "aberto" à possibilidade de um segundo pacote de apoio à economia, embora esteja à espera de que medidas incluirá o Congresso.

O projeto de lei no qual trabalham os democratas por enquanto propõe gastar US$ 150 bilhões em cortes tributários temporários, infra-estruturas e ajuda para Governos estaduais, pobres e desempregados.

Os líderes do Congresso pretendem tratar do tema após as eleições de 4 de novembro.

Bernanke assinalou hoje que o plano não só deveria fomentar o consumo, mas também resistir "à contração extraordinária do crédito", que, segundo sua opinião, pode prorrogar a recuperação econômica.

Neste sentido, o chefe do Fed explicou que o programa deveria "melhorar o acesso ao crédito de parte de consumidores, compradores de casas, negócios e outros".

Desde que explodiu a crise financeira, em agosto do ano passado, o Federal Reserve desceu a taxa de referência de 5,25% a 1,5%, diante do agravamento dos problemas nos mercados.

Bernanke pareceu apontar uma nova redução na próxima semana, quando se reúne o órgão do Federal Reserve que fixa a política monetária, ao indicar que a queda recente dos preços das matérias-primas e a desaceleração econômica "deveriam reduzir a inflação".

O chefe do Fed evitou confirmar se crê que os Estados Unidos estão já em recessão, como consideram muitos economistas.

Explicou que a palavra "recessão" é um termo técnico sobre o grau de desaceleração da economia e que o que está claro é que os Estados Unidos sofre "um arrefecimento grave, com conseqüências graves". EFE cma/jp

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