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Em reunião de cerca de uma hora no início da noite de hoje na capital paulista, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, se comprometeu a entrar em contato com a direção da Embraer. O pedido foi feito pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, que solicitou a Coutinho que intervenha em uma tentativa de estabelecer um processo de negociação entre os trabalhadores e a companhia em relação às 4,2 mil demissões anunciadas na semana passada.

"Nós entendemos que a reunião foi boa. O presidente do BNDES se comprometeu a entrar em contato com a empresa. Nós colocamos a situação difícil que os trabalhadores da Embraer estão vivendo hoje. Pedimos para nos ajudar no sentido de intervir na situação", disse o presidente do sindicato, Adilson dos Santos, conhecido como Índio. "Ele se comprometeu a ligar para a diretoria da companhia e falou que é o máximo que ele pode fazer porque as ações que a BNDESPar detém não dão direito a vetar nada", afirmou.

Segundo ele, Coutinho se mostrou sensível à situação e lamentou as demissões. O presidente do BNDES não conversou com a imprensa, mas sua assessoria de imprensa confirmou sua disposição em entrar em contato com a Embraer, embora a função de mediar a relação pertença à Justiça do Trabalho.

Índio ressaltou que os trabalhadores pretendem se reunir com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir a situação na quarta-feira, um dia antes da audiência de conciliação marcada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Campinas.

Na reunião de hoje, o sindicato entregou uma carta a Coutinho questionando a atitude da empresa ao demitir trabalhadores sem negociar. Além disso, no documento, o sindicato solicita cópias de todos os contratos de financiamento e outras formas de aportes financeiros concedidos à empresa desde sua privatização, bem como as taxas de juros cobradas em cada caso. O sindicato questiona a concessão de R$ 19,7 bilhões em financiamentos do BNDES à Embraer nos últimos 12 anos e propõe a rediscussão dos termos desses créditos diante da atitude da companhia em relação aos trabalhadores.

Jornada de trabalho

A proposta do sindicato para reverter as 4.270 demissões é a redução da jornada de trabalho das atuais 43 horas semanais para 40 horas semanais, sem diminuição de salário. Segundo a entidade, a Embraer possui a maior jornada entre as empresas da região de São José dos Campos e também entre as concorrentes mundiais. Segundo o sindicalista, essa redução de jornada resultaria na criação imediata de 1,5 mil empregos.

No comunicado que a Embraer enviou ao sindicato no dia das demissões, assinado por Eugenio Calil Pedro, da área de Relações Trabalhistas e Sindicais da empresa, a alternativa da redução de jornada é descartada. "Este não é o momento adequado para qualquer negociação sobre redução de jornada de trabalho sem redução de salários, haja vista que os empregados da Embraer cumprem jornada de trabalho legalmente prevista", afirma o texto.

O sindicato propôs ainda a reestatização da empresa caso não haja revisão das demissões. Coutinho não fez comentários sobre a sugestão dos trabalhadores.

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