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Premiação destaca fusões e aquisições importantes para as empresas, os setores e a economia do País; vencedores serão conhecidos no dia 24

Nem a crise econômica internacional, que em 2011 assolou sobretudo Europa e Estados Unidos, nem as incertezas por ela geradas tiraram o Brasil do radar dos investidores. Ao longo do ano, o País foi palco de 746 operações de fusões e aquisições, segundo levantamento realizado pela consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC).

O número é 6% inferior ao observado em 2010, cuja marca, de 797 transações, foi recorde. Porém, de acordo com Alexandre Pierantoni, sócio da PwC e especialista em fusões e aquisições, a oscilação está longe de ser interpretada como negativa. Ao contrário. “Mostra que o Brasil se fortaleceu como destino de investimentos”, diz. “O ritmo de fusões e aquisições permaneceu aquecido, mesmo num contexto mundial turbulento e incerto.”

Saiba mais: Fleury foi o vencedor do Prêmio Negócio do Ano - 2011

A relevância do Brasil na preferência dos investidores, atraídos pela força do mercado interno, pelo crescimento do número de consumidores e traduzida pelo forte movimento de fusões e aquisições dos últimos anos, trouxe mais uma edição do Prêmio Negócio do Ano iG/Insper . Em 2012, foram elencados os negócios que, no ano anterior, destacaram-se em importância para o desenvolvimento das empresas envolvidas, dos setores nos quais atuam e para a economia, como um todo.

Para escolher os premiados, o iG conta com a parceria do Insper, renomado instituto de ensino e pesquisa nas áreas de administração e economia, e da PwC. O Insper é o responsável pelos critérios e metodologia para a indicação dos finalistas e vencedores. A PwC, por sua vez, disponibiliza o levantamento das operações de fusão e de aquisição, feitas pelo acompanhamento de notícias publicadas na imprensa ao longo do ano. É uma base ampla, segundo Pierantoni, pois abrange todos os portes de empresas e de perfis de investidores. Para o prêmio, no entanto, foram consideradas apenas as transações superiores a R$ 100 milhões. Os vencedores serão conhecidos no dia 24 de abril, num evento que acontecerá em São Paulo.

A metodologia adotada pelo Insper divide a premiação em cinco categorias: Negócio Mais Ousado, Maiores Negócios, Melhor Retorno ao Acionista, Empresa mais Agressiva e Empresa mais Poderosa em fusões e aquisições. Antonio Zoratto Sanvicente, professor titular de Finanças do Insper e coordenador do trabalho, explica que os critérios técnicos foram mantidos inalterados em relação ao ano passado. As categorias são as seguintes:

1. Maiores Negócios do Ano. Destaca as maiores operações, pelo valor absoluto envolvido na transação;

2. Melhor Retorno ao Acionista. Considera o impacto favorável da operação para criar valor ao acionista da empresa que é alvo da fusão ou aquisição. Para isso, mede-se o comportamento da ação, em Bolsa, no dia do anúncio da operação. Esse critério parte do princípio de que a oscilação do valor, em Bolsa, sinaliza uma reação do mercado frente à operação. Para isolar o efeito da notícia nos preços, a oscilação é ajustada pelo comportamento do índice Bovespa.

3. Negócio Mais Ousado do Ano. Reconhece a importância da operação para a empresa compradora, comparando-se a seu próprio tamanho, medido pela receita líquida apurada no ano anterior. Esse critério é adotado por considerar que uma operação de aquisição ou investimento é tanto mais importante e decisiva para a empresa se o montante da operação supera o valor que anteriormente era estimado à empresa.

4. Empresa mais Agressiva em Fusões e Aquisições. É destacada a empresa que fez o maior número de compras, com valores mínimos de R$ 100 milhões. Dessa forma, a categoria reconhece as empresas que participaram mais ativamente do mercado de aquisições.

5. Empresa mais poderosa em Fusões e Aquisições. Também indica as empresas que se mostraram mais ativas em fusões e aquisições. Porém, o critério, nesse caso, é soma financeira de todas as operações realizadas pelo comprador. As empresas que alcançam o valor mais alto são destacadas como finalistas.

O grande vencedor do Prêmio Negócio do Ano é escolhido entre os finalistas das categorias acima, por um conselho de notáveis , que no ano passado elegeu o Fleury como campeão.

Leia tudo sobre o Prêmio Negócio do Ano iG/Insper

O número expressivo de fusões e aquisições, segundo Pierantoni, pode ser explicado como uma resposta ao desafio que muitas empresas se deparam de acompanhar o crescimento do País. Para fazer frente ao número maior de pessoas migrando nas classes de consumo, diz, as empresas precisam se tornar mais competitivas e fortalecidas. Unir-se a outras, portanto, é um caminho e uma oportunidade para consolidar os negócios.

É por isso, diz ele, que a maior parte das empresas que fazem fusões e aquisições no Brasil têm capital nacional. Das operações anunciadas em 2011, 63% ocorreram entre grupos empresariais locais.

Outra tendência que se percebe no levantamento da PwC é o crescimento da participação dos fundos de private equity [investimento em empresas privadas] nas operações de fusão e aquisição. Em 2011, quatro, em cada dez operações, foram lideradas por private equity, o triplo da participação observada em 2006, quando responderam por 11% das transações.

Pierantoni avalia que essa maior exposição às aquisições, por parte dos private equity, também reflete o amadurecimento do Brasil, que hoje oferece mais opções para que os investidores possam, dentro de alguns anos, revender as empresas. “O investidor passa a vislumbrar a saída, possibilitada principalmente pelo mercado de capitais”, diz. “Isso mostra o quanto o Brasil está evoluindo.”

O novo contexto, que soma o mercado de capitais mais maduro e a economia interna pujante, tem provocado outras mudanças. A primeira é o foco maior em oportunidades em consumo e serviços, o segmento do PIB que mais cresce. “São setores que estão sustentando a curva de investimento nos últimos anos”, afirma. Outra é a dispersão geográfica das transações. Hoje, as compras são feitas acontecem em todo o território nacional, diferente de um passado não tão distante, no qual as aquisições se concentravam majoritariamente no eixo Rio-São Paulo. “As operações passaram a ser multissetoriais e multirregionais”, diz.

Tais características, diz ele, abrem um círculo virtuoso. “É um crescimento que tem de ser acompanhado por outras empresas, provocando expansão na cadeia de fornecimento”, afirma. “Fusões e aquisições continuarão sendo as ferramentas para isso.” Por isso, ele acredita que o ritmo das operações continuará forte nos próximos anos, com uma diferença: “a tendência é aumento do capital estrangeiro no número de transações. O investidor estrangeiro está atento a todas as mudanças e oportunidades que estão sendo geradas no Brasil.”

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