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Parlamento grego votará as medidas de autoridade na próxima quarta-feira

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Papandreou pouco antes de entrar no Parlamento, nesta segunda
AP
Papandreou pouco antes de entrar no Parlamento, nesta segunda
O premiê grego, George Papandreou, disse nesta segunda-feira aos parlamentares do país que seu severo plano de austeridade é a “única chance” de colocar a Grécia “de pé novamente” e tirá-la da crise em que se encontra.

O discurso foi proferido em um debate no Parlamento grego, que votará as medidas de autoridade na próxima quarta-feira. A aprovação é exigida pela zona do euro e pelo FMI para liberar os empréstimos de 12 bilhões de euros (R$ 27 bilhões) prometidos a Atenas.

O empréstimo é a última parcela de um pacote de resgate de 110 bilhões de euros que já havia sido aprovado para o país.

A proposta de Papandeou prevê cortes orçamentários, aumentos de impostos e privatizações. As medidas, que resultariam na economia de 28 bilhões de euros em cinco anos, tem provocado uma onda de protestos populares, mas seus defensores dizem que elas são a única alternativa a uma moratória da dívida grega.

O resultado do debate parlamentar sobre as medidas é incerto. Papandreou enfrenta uma forte oposição inclusive dentro de seu partido, o Pasok, que tem uma pequena maioria no Parlamento (155 cadeiras, de um total de 300).

Otimismo

Em entrevista publicada no domingo, o vice-premiê Theodor Pangalos se disse otimista quanto à obtenção de apoio legislativo para definir reformas fiscais e tributárias e para a criação de uma agência de privatização.

Mas ele foi mais cauteloso quanto à possibilidade de o governo conseguir a aprovação de medidas orçamentárias específicas, bem como de entregar ao controle privado empresas atualmente estatais.

Sindicatos gregos convocaram uma greve geral de dois dias, contados a partir de terça-feira, em uma nova tentativa de pressionar os políticos do país a não aprovar as medidas de austeridade.

A União Europeia e o FMI já discutem um segundo pacote de resgate, que pode ser de tamanho semelhante ao do primeiro.

Mas os políticos querem, desta vez, que os credores privados também colaborem, relaxando a cobrança da dívida grega.

Advertências

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse nesta segunda-feira que os bancos de seu país ajudarão na recuperação grega ao estender para 30 anos o prazo de pagamento das dívidas e permitindo o reempréstimo a Atenas.

Também nesta segunda, grandes investidores advertiram para a gravidade da situação financeira da Europa.

A Pimco, uma das maiores administradoras de fundos do mundo, disse que a reestruturação da dívida grega – processo em que o pagamento da dívida é feito em prazo mais longo que o acordado, e em quantias menores ao total devido – é inevitável e que a crise em Atenas pode contaminar a Europa.

E o megainvestidor George Soros disse que o mundo está à beira de outro desastre financeiro. Para ele, é inevitável que um ou mais países da zona do euro abandonem a moeda comum.

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