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Diferentemente de Bill Gates e outros executivos da área de tecnologia, Jobs nunca demonstrou interesse por ações sociais

Jobs não tinha envolvimentos conhecidos com atividades filantrópicas
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Jobs não tinha envolvimentos conhecidos com atividades filantrópicas
Enquanto Bill Gates, fundador da Microsoft, já anunciou a doação de metade de sua fortuna estimada em US$ 53 bilhões para a caridade, Steve Jobs , fundador da Apple, nunca demonstrou interesse em se envolver com atividades de filantropia. Quando perguntado sobre o assunto em palestras e entrevistas, o executivo evitava comentários.

A falta de doações para ajudar projetos de educação ou contra a fome no mundo, no entanto, não parece ter impactado a imagem de Jobs, que desde a fundação da Apple, sempre foi considerado um visionário do setor de tecnologia e admirado por homens de negócios e fãs de seus produtos.

Pouco se sabe sobre o que Jobs fazia com sua fortuna estimada em US$ 8,3 bilhões. Segundo o jornal The New York Times , o próprio Gates, em conjunto com outros bilionários, teria tentado convencer Jobs a destinar parte de seu dinheiro para a caridade, mas Jobs teria recusado o convite. Além disso, apesar de sua batalha contra o câncer, Jobs nunca anunciou incentivos para pesquisas ou hospitais especializados na doença.

A única tentativa de fazer filantropia até hoje aconteceu ainda em meados da década de 1980, logo depois que Jobs deixou a Apple, diz o The New York Times. Ele fundou uma nova empresa, chamada NeXT, e logo depois a fundação Steve P. Jobs, que teve vida curta – cerca de um ano apenas. “Ele claramente não tinha tempo para cuidar disso”, disse Mark Vermilion, executivo que Jobs contratou na época para liderar a fundação, ao jornal.

A possibilidade de que Jobs doaria dinheiro anonimamente era debatida entre pessoas que acompanhavam a Apple de perto, mas nada nunca foi confirmado. Rumores dão conta de que uma doação anônima de US$ 120 milhões a um centro de pesquisas de câncer na Universidade da Califórnia, poderia ter partido de Jobs. A família de Jobs não divulgou até o momento informações sobre a herança do executivo.

O fato é que Jobs passou a maior parte de seus dias focados em desenvolver novos produtos na Apple e, depois de receber o diagnóstico de câncer, em passar boa parte de seu tempo com sua família. “Este é seu legado. Tudo o mais seria uma distração”, disse um amigo à reportagem do The New York Times.

Figurões de tecnologia doaram fortunas à caridade

Ao contrário de Steve Jobs, muitos executivos de tecnologia fazem questão de doar dinheiro para ações filantrópicas e, alguns deles, de dar publicidade ao fato. Não contente em doar sua própria fortuna, Bill Gates, da Microsoft, criou uma fundação em conjunto com o investidor Warren Buffet para estimular outros bilionários a ajudar os necessitados ou investir em educação. No ano passado, ele convenceu outros 40 bilionários a contribuir para a campanha, chamada de Giving Pledge.

Em dezembro de 2010 foi a vez de Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, fazer sua doação para a caridade por meio da campanha de Gates. Com apenas 26 anos, o executivo decidiu doar uma quantia não divulgada para a campanha. "As pessoas esperam até o final de sua carreira para devolver. Mas porque esperar se existe tanto a fazer?”, disse Zuckerberg, em comunicado na ocasião. Além disso, o fundador da rede social também já havia doado US$ 100 milhões para subsidiar escolas públicas nos Estados Unidos.

Brin, do Google: doações para pesquisas sobre Doença de Parkinson
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Brin, do Google: doações para pesquisas sobre Doença de Parkinson
Por meio de uma organização de filantropia, o Google também faz doações para a caridade. Segundo o site oficial do Google.org, em 2010 a empresa já doou mais de US$ 145 milhões com o propósito é subsidiar organizações não-governamentais e instituições acadêmicas.

Contudo, segundo o jornal The New York Times, a maioria dos projetos listados na organização é do próprio Google, como monitorar áreas de desmatamento com o Google Maps e digitalizar os manuscritos do Mar Morto.

Além disso, um dos fundadores do Google, Sergey Brin, já doou mais de 50 milhões de dólares para finaciamento de pesquisas sobre Doença de Parkinson . Em 2010, ele descobriu que tem uma tendência genética a desenvolver a doença no futuro.

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