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Especialistas do setor de petróleo pedem cautela com relação ao início da produção de um reservatório na camada pré-sal no Campo de Jubarte, no litoral capixaba. Embora as perspectivas de reservas sejam boas, apenas o teste de longa duração, iniciado ontem pela Petrobrás, poderá indicar o potencial de produção da jazida.

A festa armada em torno do projeto recebeu críticas, uma vez que o País já produz petróleo no pré-sal desde a década de 60, em campos terrestres e na Bacia de Campos. "O Brasil conhece o pré-sal há mais de 30 anos. A única novidade, hoje, são as grandes reservas de Santos", afirma o geólogo Giuseppe Bacoccoli, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Bacoccoli lembra que alguns dos primeiros projetos a entrar em operação na Bacia de Campos ainda na década de 70, como Badejo e Enchova, produzem óleo de reservatórios abaixo do sal, em condições semelhantes às encontradas em Jubarte. O campo terrestre de Carmópolis, que iniciou as operações em 1962, também tem poços no pré-sal.

"O pré-sal não é novidade. O que estão fazendo hoje é só propaganda", concorda outro experiente geólogo, que pediu para não ser identificado. Segundo os entrevistados, as grandes expectativas sobre o potencial do pré-sal estão focadas na região de Tupi, esta sim uma novidade na história do petróleo do Brasil, por causa dos volumes e desafios encontrados. Naquela área, dizem, as condições são diferentes das conhecidas atualmente, com poços a mais de 6 mil metros de profundidade, abaixo de uma camada de sal de 2 mil metros.

Qualquer estimativa, porém, só poderá ser confirmada depois dos testes de longa duração, seja em Jubarte, seja em Tupi. O teste de longa duração tem como objetivo observar o comportamento da jazida em um prazo mais longo do que os primeiros testes do poço descobridor, para saber qual o ritmo de perda de pressão do reservatório e a mistura de fluidos (óleo, gás e água) que será extraída dos poços. A informação é essencial para definir a produtividade de cada poço.

Mesmo em jazidas acima da camada de sal, avaliações precipitadas podem trazer surpresas desagradáveis. É o que ensina a experiência da Petrobrás no campo de Golfinho, na Bacia do Espírito Santo, apontado como uma jazida que poderia contribuir para a redução da dependência brasileira por óleo leve.

Golfinho teve sua viabilidade confirmada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) em janeiro de 2004 e foi alçado à lista de projetos prioritários da estatal. Em ritmo acelerado, a companhia instalou no local duas plataformas com capacidade para processar, cada uma, 100 mil barris por dia.

No ano passado, os técnicos perceberam que o volume de água extraído pelos poços estava se tornando cada vez maior, reduzindo o potencial de produção de óleo. Atualmente, Golfinho produz uma média de 50 mil barris por dia, cenário que levou a estatal a decidir pelo deslocamento de uma das plataformas para o projeto Cachalote, próximo a Jubarte.

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