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Líderes portugueses concordaram com novas e rígidas medidas de austeridade, juntando-se ao esforço coordenado da zona do euro

Líderes portugueses concordaram hoje com novas e rígidas medidas de austeridade, juntando-se ao esforço coordenado da zona do euro que, até agora, acalmou os piores temores do mercado sobre o espalhamento da crise de dívida grega.

O primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, e o líder da oposição, Pedro Passos Coelho, delinearam medidas para reduzir o déficit orçamentário em cerca de 2 bilhões de euros, metade em cortes de gastos e metade em elevação dos impostos sobre venda, renda e lucro, disse uma fonte próxima às negociações.

O gabinete português deve se reunir para aprovar o programa mais tarde nesta quinta-feira.

No fim de semana, o governo de Portugal disse que reduzirá seu déficit em um ponto percentual em 2010, para 7% do Produto Interno Bruto (PIB).

Assim como as duras medidas anunciadas pela Espanha na quarta-feira, as de Portugal são o doloroso preço que os endividados países da zona do euro precisam pagar para a proteção da rede de segurança de 750 bilhões de euros, aprovada pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no fim de semana.

"A crise do futuro do euro não é só uma crise, é o maior teste que a Europa enfrentou desde 1990, senão nos 35 anos anteriores", disse a chanceler alemã Angela Merkel em discurso televisionado pela rede WDR. "Esse teste é existencial -- precisa ser vencido".

As bolsas de valores globais ganharam cerca de 6% desde o anúncio do pacote de resgate.

A Lusa, agência de notícias estatal portuguesa, citou uma fonte não-identificada do governo dizendo que uma das propostas de austeridade inclui corte salarial de 5% para gerentes de empresas estatais e políticos.

O governo português prometeu reduzir o déficit orçamentário do ano que vem em mais 1,5 ponto percentual.

No ano passado, o déficit de Portugal atingiu 9,4% do PIB, após somente 2,7% em 2008.

GABINETE BRITÂNICO SE REÚNE PARA CORTAR GASTOS

O novo governo de coalizão da Grã-Bretanha, que é membro da UE mas que não participa da zona do euro, reuniu-se pela primeira vez nesta quinta-feira e concordou com uma redução de 5% nos salários de todos os ministros.

Cortes menos simbólicos e mais substanciais são prioridade na agenda britânica de redução de déficit, marcando o fim da política de gastos defendida pelo ex-primeiro-ministro Gordon Brown em resposta à crise global.

Esse tipo de política econômica, aplicada por muitos governos, gerou uma abundância de emissão de bônus que, no caso de Estados endividados, os investidores hesitavam em comprar.

Os juros portugueses e espanhóis dispararam na semana passada, com os investidores abandonando bônus de países periféricos da zona do euro.

Porém, Portugal e Alemanha realizaram leilões de bônus bem sucedidos na quarta-feira, após a compra do Banco Central Europeu (BCE) de títulos da dívida de governos da zona do euro no mercado ter tranquilizado investidores. O prêmio de risco sobre a dívida grega atingiu o menor nível em três semanas.

O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, disse na quarta-feira que vai cortar o salário do setor público em 5% neste ano e congelá-lo em 2011; reduzir os investimentos estatais e o valor de aposentadorias; e cortar 13 mil empregos do setor público para cumprir as metas de déficit da UE.

Para promover a disciplina fiscal e prevenir a volta das estatísticas fraudulentas e do déficit inflado da Grécia, o comissário de Assuntos Econômicos e Monetários da UE, Olli Rehn, revelou na quarta-feira propostas para uma coordenação orçamentária maior dentro da Europa.

O ponto principal apresentado por Rehn faria os governos da região submeterem as propostas de orçamento à avaliação de Bruxelas e à revisão por outros Estados-membros antes de serem adotadas pelos parlamentos nacionais. A Comissão Europeia, braço executivo da UE, não tem poder para alterar orçamentos dos países-membros, mas ganharia mais tempo para influenciar seus conteúdos.

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