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Nova rodada de privatização deve ocorrer em 2012 com venda de ativos regionais e municipais

Com pouco mais de 10 milhões de habitantes e uma economia que vai recuar neste e no ano que vem, Portugal apresenta-se como a porteira para 501 milhões do mercado europeu. Na zona do euro, que cobre 17 países (330 milhões de pessoas), a economia deve crescer entre 1,3% e 2,1% em 2011 e 0,8% a 2,8% em 2012, segundo o Banco Central europeu.

“Em todos os tipos de investimento, nós nos dirigimos às empresas brasileiras que pensam na internacionalização tendo em vista o mercado europeu”, diz Rui Ramos Coelho, diretor-executivo da Invest Lisboa, agência de promoção de investimento da capital portuguesa.

Em 2012, o governo terá de apresentar ao FMI apresentar uma lista de ativos municipais e regionais privatizáveis. A Câmara de Lisboa, equivalente no Brasil à prefeitura, é o maior proprietário da cidade.

Diogo Castro e Silva, diretor executivo da Caixa Geral de Depósitos, acena com a possibilidade de, ao se instalar em Portugal, o empresário brasileiro ter acesso à mercado europeu de crédito. “Não só privado, mas também a instituições como o Banco Europeu de Investimentos (equivalente ao BNDES no Brasil)”, diz ao iG. “O governo brasileiro tem dado sinais de que o BNDES não pode ser o único (a apoiar a internacionalização).”

Para além de conquistar novos mercados, a internacionalização é uma maneira de as empresas brasileiras driblarem barrerias alfandegárias. Escolher Portugal para esse processo, porém, depende das perspectivas que o país apresenta. Se por um lado os ativos no país estão mais baratos – diz um analista ouvido pelo iG – por outro há temor sobre quando a economia do país vai se recuperar.

O país também vende a ideia de que pode servir como “hub” para acesso brasileiro à África. EDP, Galp, TAP e Águas de Portugal têm negócios em Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (Palops) – Guiné-Bissau, Guiné Equatorial Cabo Verde, Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe, que somam 45 milhões de habitantes.