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O plano governamental alemão de amplitude histórica para dar suporte aos bancos, prevendo 480 bilhões de euros, foi adotado maciçamente nesta sexta-feira pelo Parlamento.

Em razão do procedimento acelerado no Parlamento, o presidente Horst Köhler assinou a lei no início da tarde, e ela deverá ser divulgada no sábado no Diário Oficial.

Esse plano de resgate, o maior do pós-guerra, foi aprovado por maioria esmagadora na Bundestag (476 votos a 99 e uma abstenção) e por unanimidade pelos representantes dos 16 estados regionais na Bundesrat.

Os estados já haviam anunciado na quinta-feira à noite que votariam a favor, depois de terem obtido concessões sobre sua parcela de participação.

A coalizão governamental liderada pela chanceler conservadora (CDU) Angela Merkel recebeu o apoio de seus deputados, assim como dos políticos do Partido Liberal (FDP, oposição).

A esquerda radical (Die Linke) votou contra, como previsto, e os Verdes fizeram o mesmo.

Anunciado na segunda-feira, ao mesmo tempo que na França e na Itália para restaurar a confiança, o plano estabelece uma garantia de 400 bilhões de euros sobre os empréstimos interbancários e 80 bilhões de euros para recapitalizar as instiuições em dificuldade.

Para a chefe do grupo parlamentar dos Verdes, Renate Künast, "esse plano é um cheque em branco", enquanto que restava ainda discutir "a reorganização necessária do mercado financeiro"

"Primeiro sinal animador", segundo Glos, presidente do Deutsche Bank Josef Ackermann, que anunciou ter renunciado ao seu bônus anual que chega a vários milhões de euros em "solidariedade" neste momento de crise financeira.

Uma das medidas do plano prevê justamente a limitação da remuneração dos dirigentes das instituições que pediram ajuda ao Estado.

Esse não é o caso do Deutsche Bank, que não "precisa da ajuda do Estado alemão", afirmaram fontes bancárias à AFP.

No momento, apenas o Hypo Real Estate, quarto maior banco do país, pediu ajuda ao Estado para sair da crise, mas outros poderão segui-lo, a começar pelos bancos públicos regionais alemãos, os mais afetados pela crise.

A Alemanha rejeitou durante várias semanas a idéia de um plano nacional antes de mudar de posição frente à deterioração da conjuntura.

Berlim baixou na quinta-feira sua previsão de crescimento para o próximo ano a 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB), seu nível mais baixo desde 2003.

Apesar de tudo, o ministro das Finanças Peer Steinbrück se mostrou otimista, assegurando nesta sexta-feira que a economia alemã estava "relativamente robusta".

Mas 66% dos alemães acreditam que o pior está por vir para o setor financeiro e a grande maioria considera que o mundo enfrentará uma crise econômica, segundo uma pesquisa do instituto GfK divulgada nesta sexta-feira.

pan/dm

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