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Se o negócio entre Casas Bahia e o Grupo Pão de Açúcar for desfeito, a indústria e as redes varejistas concorrentes saem ganhando. Desde que a fusão entre as duas empresas foi anunciada, no fim do ano passado, as fabricantes de eletrodomésticos da linha branca e as indústrias de eletrônicos estão preocupadas com o poder de fogo que teria essa nova gigante do varejo na determinação de preços e condições de pagamento.

Se o negócio entre Casas Bahia e o Grupo Pão de Açúcar for desfeito, a indústria e as redes varejistas concorrentes saem ganhando. Desde que a fusão entre as duas empresas foi anunciada, no fim do ano passado, as fabricantes de eletrodomésticos da linha branca e as indústrias de eletrônicos estão preocupadas com o poder de fogo que teria essa nova gigante do varejo na determinação de preços e condições de pagamento. No caso de lavadoras, por exemplo, há indústrias que destinariam mais da metade da sua produção para essa nova empresa. Dessa forma, ficariam totalmente dependentes das condições ditadas pelo comprador. Também as redes varejistas concorrentes sentirão um certo alívio se o negócio minguar. A grande ameaça para essas empresas de médio e pequeno portes que vendem eletroeletrônicos e móveis é a política muito agressiva de vendas do novo conglomerado que estava se desenhando. Comprando grandes volumes, esse megabloco varejista certamente teria mais condições de esticar prazos e reduzir preços, repassando as vantagens obtidas da indústria na hora da compra para seus clientes. Uma prova dessa preocupação dos concorrentes foi a recente união da mineira Ricardo Eletro com a baiana Insinuante, formando a segunda maior rede de eletrodomésticos e móveis do País, com vendas de R$ 5 bilhões. Cálculos feitos a partir de faturamentos divulgadas pelas empresas mostram que, se o negócio não vingar, as Casas Bahia continuarão na liderança, com receita de R$ 13 bilhões. Mas a situação ficará apertada para o Grupo Pão de Açúcar/ Ponto Frio, cujas vendas nesse segmento somarão R$ 5,5 bilhões, apenas R$ 500 milhões à frente da Ricardo Eletro/ Insinuante.
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