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A Casa Branca e os congressistas ainda estão dando os retoques finais no plano para socorrer as montadoras, mas já chegaram a um acordo sobre o conceito, afirmou ontem à noite um representante do governo. Achamos que as questões conceituais foram resolvidas, afirmou o representante.

"Chegamos a um projeto muito forte", acrescentou.

Porém, de acordo com essa fonte, o texto do projeto ainda está em discussão entre a Casa Branca e o Congresso. Ele reconheceu que o governo terá de convencer congressistas republicanos ainda céticos quanto aos méritos do projeto. Para isso, o chefe de gabinete da Casa Branca, Josh Bolten, irá nesta quarta-feira ao Congresso, onde defenderá o projeto perante os republicanos. A Câmara dos Representantes deve votar o texto já na quarta-feira, depois de uma reunião entre a liderança da Casa e a cúpula democrata.

General Motors (GM), Chrysler e Ford haviam pedido uma ajuda de US$ 34 bilhões. O projeto deve conceder US$ 15 bilhões em empréstimos. Um impasse é o artigo que proíbe as montadoras de contestar na Justiça os controles mais rigorosos que venham a ser estabelecidos pelos Estados sobre a emissão de poluentes. A Casa Branca diz que o artigo pode impedir a aprovação do projeto no Senado. Mas a corrente mais progressista do Partido Democrata na Câmara dos Representantes ameaça uma rebelião. Esses deputados rechaçam a idéia de que as montadoras possam receber ajuda do governo e ao mesmo tempo combater judicialmente as leis ambientais.

"Entendo que será alcançado um acordo", disse o senador democrata Carl Levin. Ele admitiu, no entanto, que será necessário um grande esforço para aprovar o projeto, particularmente no Senado, onde são necessários 60 votos. Se os senadores democratas concordarem em excluir o artigo sobre a legislação ambiental, o projeto terá de voltar para uma segunda votação na Câmara, onde sua aprovação passaria a ser incerta.

O governo parece satisfeito com o restante do texto, particularmente com a garantia de que os recursos serão colocados à disposição apenas das montadoras que provarem sua capacidade de sobrevivência no longo prazo. Para continuar com os recursos do empréstimo-ponte ou serem elegíveis para empréstimos adicionais, as empresas precisarão provar que têm um valor presente positivo, levando em conta todos os custos atuais e futuros.

Até 31 de março, as montadoras terão de apresentar um plano de reestruturação ao "czar dos carros", designado pelo presidente. Se passarem no teste, as companhias poderão obter do "czar" uma extensão de 30 dias no prazo do empréstimo. O projeto estabelece que, em caso contrário, o presidente terá de exigir a devolução do dinheiro. O "czar" pode ter de apresentar seu próprio plano de reestruturação. As informações são da Dow Jones.

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