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Investimento crescente e consumo em desaceleração desautorizam críticos, dispara coordenador de projeções do órgão governamental

Uma ánalise sobre as principais componentes do Produto Interno Bruto (PIB) permite concluir que o Banco Central conseguiu justamente o que queria, pelo menos neste primeiro trimestre do ano.Forte desaceleração do consumo combinada a um acentuado aumento dos investimentos não poderia ser melhor para quem quer combater a inflação sem prejudicar o crescimento sustentado. 

"Os números estão dando razão ao Banco Central, que foi contra tudo e contra todos na implementação de suas políticas de combate à inflação. Desaceleração do consumo, crédito e inflação também, com investimento subindo ", afirma ao iG Roberto Messenberg, coordenador de Grupo de Análises e Projeções do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

"O BC acertou muito mais que o mercado . Os dados de hoje desautorizam completamente o mercado", acrescenta o economista.

No primeiro trimestre, a taxa do consumo das famílias desacelerou de 2,4% no último trimestre do ano passado para 0,6% de janeiro a março de 2011. Quando diminui a procura, os preços dos bens e serviços - a principal preocupação do governo no momento - recuam, segundo reza a lei da oferta e da demanda. 

O Ipea mantém a projeção para o PIB neste ano, de 4% a 5%. "Temos ainda mais certeza diante desses números novos do IBGE", diz o economista que responde pelas projeções.

Temor de voo de galinha

"Realmente houve desaceleração no consumo das famílias brasileiras, refletindo as medidas do governo de aumento das exigências de crédito. Houve ainda efeito da desaceleração da massa salarial, que também afetou a demanda", disse a gerente de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis, durante a divulgação do PIB nesta sexta-feira.

Já a Formação Bruta de Capital Fixo, que mede os investimentos, avançou 1,2% entre janeiro e março, bem mais do que registrado no trimestre anterior, quando a mesma taxa foi de apenas 0,4%.

Messenberg pondera que ainda falta acompanhar o que vai acontecer daqui para frente. Ele observa que no começo do ano passado o PIB também cresceu movido por investimentos e não por consumo acelerado, exatamente como ocorreu neste primeiro trimestre de 2011. "Mas ao longo do ano isso se inverteu e o consumo passou a crescer muito mais que o investimento. Se isso se repetir, teremos um voo de galinha".

Outra preocupação é o recuo da indústria a partir de abril. Por trás da queda, a valorização do Real, segundo o economista, é preocupante e pode afetar ainda mais o setor neste ano.

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