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O temor de que a retomada do crescimento na Europa alterne altos e baixos e ocorra em W, como prevê o economista Nouriel Roubini, está no ar. Dados divulgados ontem, em Bruxelas, pelo Escritório Estatístico das Comunidades Europeias (Eurostat) revelaram que, depois de voltar a crescer no segundo semestre de 2009, as economias do bloco agora estão próximas à estagnação.

O temor de que a retomada do crescimento na Europa alterne altos e baixos e ocorra em W, como prevê o economista Nouriel Roubini, está no ar. Dados divulgados ontem, em Bruxelas, pelo Escritório Estatístico das Comunidades Europeias (Eurostat) revelaram que, depois de voltar a crescer no segundo semestre de 2009, as economias do bloco agora estão próximas à estagnação. No primeiro trimestre de 2010, os países do bloco avançaram em média 0,2%. Entre 12 países analisados, cinco apresentaram queda da atividade e nenhum cresceu mais de 1%. Açoitada pelo mercado financeiro nos cinco primeiros meses do ano, um período marcado pela crise de liquidez da Grécia e pelas especulações sobre Portugal e Espanha, a Europa pena para consolidar sua recuperação. Nas seis maiores potências da região, o crescimento entre janeiro e março foi próximo a zero. O melhor desempenho foi da Itália, que progrediu 0,5%. Na Alemanha, Reino Unido e Holanda, primeiro, terceiro e sexto maiores mercados do bloco, o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 0,2%. Na França e na Espanha - que deixou, enfim, a recessão -, o crescimento se limitou a 0,1%. Para comparação, no mesmo intervalo o PIB dos Estados Unidos cresceu 0,8%. Cinco países, dos 12 que já divulgaram dados, apresentaram recuo: Lituânia (-4,1%), Estônia (-2,3%), Grécia (-0,8%), Romênia (-0,3%) e Chipre (-0,2%). Pífio. O desempenho pífio se reflete na média dos 16 países da zona do euro e dos 27 da UE: crescimento de 0,2%. Comparado com o primeiro trimestre de 2009, o cenário fica um pouco mais positivo: 0,5% para a zona do euro e 0,3% para o bloco. Com um discurso otimista, autoridades do mundo financeiro vieram a público externar convicção sobre o bom desempenho da união e a estabilidade da moeda única. Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE), disse estar "mais do que confiante" no futuro do euro e sobre o crescimento, mesmo acompanhado de maior vigilância nas contas públicas. Para Christian Noyer, presidente do Banco da França - a autoridade monetária do país -, os planos de rigor em fase de preparação ou já anunciados por França, Reino Unido, Grécia, Portugal e Espanha, não retardarão a retomada porque trarão de volta a credibilidade. "Mais confiança significa nível de consumo e de investimento mais normal, e tudo isso facilita o crescimento." Somados, o otimismo das autoridades e as estatísticas "não negativas" do Eurostat foram suficientes para animar o mercado financeiro ontem. Em Frankfurt, a alta chegou a 2,41%, enquanto em Paris e Londres houve mais cautela: 1,1% e 0,9%. As estatísticas, entretanto, não seduzem analistas econômicos, que se mostram reticentes e apreensivos com o momento econômico da Europa. "A zona do euro está sendo deixada para trás pelos Estados Unidos, que está experimentando uma forte retomada em V", afirmou ao jornal Financial Times Nick Kounis, economista do banco holandês Fortis. O temor é de que, após a recessão de 2008 e do primeiro semestre de 2009, a interrupção do ciclo no segundo semestre do ano passado possa ter sido apenas por um movimento de reestocagem, que teria impulsionado a indústria. O cenário configuraria estagnação ou, no pior dos casos, recuperação em W - alvo de advertências da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). A esperança dos economistas é que, com o aquecimento de emergentes como China, ¿?ndia e Brasil e a retomada americana, as exportações acelerem o crescimento no segundo trimestre. Essa hipótese beneficiaria a Alemanha e, em menor escala, a França. Para Olivier Gasnier, do Société Générale, "na França, a saúde virá do comércio exterior porque, com o aperto fiscal, a demanda interior não sustentará o crescimento". <i>As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.</i>

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