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A Polícia Federal anunciou ontem que vai encaminhar à Justiça e ao Ministério Público Federal documento específico com todas as informações relativas a doações a partidos políticos identificadas durante a Operação Castelo de Areia investigação que, na semana passada, levou à prisão quatro executivos e duas secretárias da cúpula da empreiteira Camargo Corrêa e quatro doleiros. Analistas da PF estão separando áudios, e-mails e fax onde são citados repasses supostamente ilegais.

A meta da PF é submeter esse material ao crivo da Justiça Eleitoral, a quem compete autorizar investigação sobre infrações de natureza política.

A PF destacou que o inquérito Castelo de Areia foi aberto há um ano e dois meses para investigar crimes financeiros, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Mas, no curso da apuração, surgiram indícios de crimes eleitorais.

Diálogos interceptados pela Inteligência da PF citam nomes de políticos beneficiados, entre eles os senadores José Agripino Maia (DEM-RN) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA). Ambos admitiram ter recebido doações da empreiteira (R$ 300 mil para Agripino e R$ 200 mil para Flexa Ribeiro), mas afirmam que as transações foram declaradas à Justiça Eleitoral.

Os autos do inquérito citam 10 partidos: PSDB, PMDB, PT, PSB, PPS, PTB, PDT, PV, DEM e PP.

Grampos indicam irregularidades. Fernando Dias Gomes e Pietro Francesco Giavina Bianchi, executivos da empreiteira, foram flagrados falando sobre "a pasta das eleições" e "todos os caras que foram pagos".

Bianchi e uma pessoa identificada apenas como Marcelo falaram sobre doações. Bianchi indaga Marcelo sobre "doações por dentro?". Marcelo responde: "Não..."
CAUTELA
"Estamos tomando a cautela de reunir todos os elementos que surgirem a partir dessas buscas que foram realizadas e da análise para que, de posse de indícios mais robustos, o Ministério Público Eleitoral possa ter oportunidade de realizar essa investigação de forma aprofundada e detalhada", declarou na terça-feira a procuradora da República Karen Louise Jeanette Kahn.

A procuradora esclareceu que o foco do inquérito era "verificar crimes financeiros e possíveis saídas de dinheiro de forma ilegal, não declaradas perante a Receita".

A PF também busca identificar operações que podem representar "até um pagamento referente a uma possível corrupção". Obras da Camargo Corrêa estão sob suspeita. Uma delas é a construção da refinaria do Nordeste, no Recife. Segundo auditoria do Tribunal de Contas da União, o negócio teria causado prejuízo de R$ 71, 9 milhões ao Tesouro.

A procuradora Karen Kahn anotou que o Ministério Público Federal já reúne condições para oferecer denúncia criminal contra a diretoria da Camargo Corrêa. "Com exceção da questão das doações, na parte relativa a crimes financeiros as provas são robustas."

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