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Com 10% da população proveniente do Brasil, Paraguai vê invasão de marcas e empresas brasileiras

No Paraguai, o “ rei da soja ” é brasileiro, o pioneiro das churrascarias também e é impossível não notar, por toda Assunção, o espanhol falado com sotaque português. Estimativas indicam que, no país, quase 10% de toda a população é formada de brasileiros. No mundo dos negócios, a perspectiva não é muito diferente. Entre o aeroporto e o centro da cidade, por exemplo, vê-se muito verde, amarelo, laranja e azul, as cores dos postos da Petrobras e das agências do banco Itaú.

A Petrobras chegou no país há quatro anos e tem a maior rede de postos do Paraguai. A segunda colocada, a nacional Copetrol, quase não é vista pelas ruas. “A qualidade da gasolina da Petrobras é melhor”, diz Luis Salcedo, taxista de um ponto ao lado do posto na avenida Mariscal Lopez, uma das principais artérias da cidade.

A companhia conta atualmente com uma rede de cerca de 170 postos de serviço, além de 67 lojas de conveniência (Spacio 1 e Minimercado), em diferentes cidades do país. A Petrobras Paraguay lidera o mercado de combustíveis (gasolinas e diesel), com 21% das vendas.

Hecho para vos

O Itaú, por sua vez, tem marketing bastante agressivo na capital paraguaia. É comum ver nos pontos de ônibus anúncios com a versão em espanhol do bordão tupiniquim: Hecho para vos (Feito para Você). Em agosto de 2010, o banco ocupava a quarta colocação no mercado paraguaio, com fatia de 14,1%. São 253 mil clientes, aumento de 13% sobre agosto de 2009, com 538 empregados, expansão de 16%.

O patrimônio líquido do banco no Paraguai cresceu 31% na mesma base de comparação, para quase R$ 300 milhões. O Itaú substituiu, em julho de 2010, a marca Interbanco, uma das mais fortes do país e que havia sido comprada pelo Unibanco.

O crescimento acelerado tem gerado críticas de alguns clientes. É o caso da secretária Maria José Daniels, que tem conta salário no Itaú. “Eles estão crescendo de maneira muito rápida, e acho que a estrutura montada não está dando conta”, diz. “Eu passava todo o dinheiro para a minha antiga conta. Depois de alguns meses, descobri que estavam me cobrando uma taxa por isso. Demorei quatro meses para conseguir o dinheiro de volta.”


Na semana em que se completam 20 anos da assinatura do Tratado de Assunção, que consolidou a criação do Mercosul, o iG convida o leitor a descobrir como paraguaios, uruguaios e argentinos estão saboreando o melhor momento econômico das últimas décadas. Na primeira série de reportagens do projeto Expedições iG, você entenderá como o controle da inflação, a democracia e o crescimento contínuo do Brasil estão mudando a vida de pessoas e empresas dos nossos mais próximos vizinhos.

Veja as principais reportagens da série:

O Brasil cresce e muda a vida de pessoas e empresas do Mercosul
Soja se consolida entre vizinhos e ajuda Mercosul a crescer
Transferência de renda ajuda Mercosul a driblar a crise

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