Tamanho do texto

Enquanto espera Plano Nacional da Pesca, setor pede ajuda do governo para resistir ao aumento das importações de pescado da China

Dois dias após o anúncio de novas medidas de incentivo fiscal pelo governo federal para a indústria, empresários e representantes do setor pesqueiro visitam o ministro da Pesca e Aquicultura (MPA), Marcelo Crivella, para pedir isenções para concorrer com o avanço da importação de pescado.

A reunião nesta quarta-feira, em Brasília, será o primeiro teste de Crivella após assumir a pasta no início do mês – período no qual chegou a demostrar interesse em criar a ‘Pescobras’, inspirada na Petrobras e com recursos repassados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a expansão do setor.

Leia também: Parlamentares querem ajudar Crivella a colocar isca no anzol

Criado pelo ex-presidente Lula em 2009, o MPA ainda não pegou velocidade de cruzeiro. Isto porque, os técnicos da pasta têm tido dificuldade em finalizar o Plano Nacional da Pesca, conjunto de diretrizes para estimular o crescimento do setor no país.

Os problemas enfrentados pela área técnica têm sido a rotatividade do alto escalão do ministério. Já passaram pelo MPA a atual ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti (PT-SC), o deputado Luiz Sérgio Oliveira (PT-RJ) e, agora, Crivella (PR-RJ). A cada troca de timoneiro, os técnicos precisam refazer o trabalho para fazer o ministro da ocasião entender de pescaria.

A tarefa não tem ajudado os pesqueiros a resisitr à corrente de importações. Somente no primeiro bimestre deste ano, a entrada de pescados no Brasil cresceu 30% em relação aos meses de janeiro e fevereiro de 2011.

Foram 75 mil toneladas importadas, a maioria da China. O dragão asiático ampliou em mais de 16.000% a venda de peixes e derivados para o Brasil de 2005 a 2011 - com destaque para o bacalhau pescado na Noruega, processado em solo chinês e com entrada no Brasil após percorrer mais de 27 mil quilômetros. Com preço 50% mais barato que o tradicional similar português, o bacalhau chinês já desbancou a merluza argentina, até então principal itens consumido por aqui. Em 2011, foram 79 mil toneladas compradas pelos brasileiros, contra 7 mil em 2009.

Na contramaré do comércio internacional, apesar dos 8.000 quilômetros de costa, o Brasil exportou pouco mais de 5,6 toneladas de pescados em todo ano de 2012.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.