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Os produtores de vinho de outrora - pessoas com os pés no chão, como os definiu Margrit Mondavi, a matriarca de 84 anos da Vinícola Robert Mondavi, de Napa Valley - dominavam a arte de cultivar a uva e de fazer vinhos. Mas há uma nova geração chegando a esse setor.

São profissionais com diploma em MBA, banqueiros, arquitetos, engenheiros e gente de outras profissões que estão assumindo a gestão ou iniciando vinícolas e criando pequenas butiques de vinhos, com um grau de excelência nos negócios em geral encontrado somente nas grandes marcas.

"É uma segunda carreira bastante comum", diz Bill Nelson, presidente da WineAmerica, uma associação de produtores que reúne mais de 800 vinícolas nos EUA. "Muitas vezes, as pessoas amealham os recursos financeiros com a primeira carreira e daí passam a se dedicar à área de vinhos."
É o que está acontecendo na Califórnia - mas também em Nova York, Washington, Oregon, Texas e Carolina do Norte. Jim Trezise, presidente da Wine and Grape Foundation de Nova York, diz que, nos últimos três anos, foram criadas no Estado 58 vinícolas, e que "praticamente todos os proprietários das novas vinícolas anteriormente exerciam outras profissões".

Em 1982, quando ele começou seu empreendimento, as pessoas que ingressavam no setor vinícola em Nova York eram produtores de uvas cujos outros mercados estavam desaparecendo. Eles decidiram entrar no novo negócio depois que Nova York aprovou a Lei das Pequenas Vinícolas, em 1976, que lhes permitiu vender diretamente aos consumidores sem passar pelos distribuidores e atacadistas, o que tornou economicamente mais viável ter um pequeno negócio do ramo.

"Este surto de expansão das vinícolas foi impulsionado pelo fracasso", afirma Trezise. "Hoje, é impulsionado pelo sucesso: as pessoas veem que outras são bem-sucedidas e querem tentar também."
Os vinicultores que trocaram de carreira, ou acrescentaram mais uma à primeira, muitas vezes acabam descobrindo que ter experiência em outros campos ajuda neste setor que envolve agricultura, química, design, construção e tecnologia. E a utilizam para transformar uvas em vinho.

Isso é visível na tecnologia e nos projetos, nas técnicas usadas para a produção de uvas, em lugares que rompem com a tradição e, principalmente, numa ênfase maior no planejamento dos negócios e em novas estratégias de marketing. Enquanto as grandes vinícolas, que dispõem de uma distribuição nacional ou internacional, têm recursos para contratar especialistas em finanças e marketing, as menores frequentemente têm equipes pequenas. Às vezes, os proprietários fazem quase tudo sozinhos. Muitos empreendedores que hoje pretendem dedicar-se à pequena produção de vinhos especiais já dispõem da experiência financeira, empresarial, e têm conhecimento dos aspectos legais, o que lhes permite adotar estratégias mais sofisticadas em seus negócios.

"Principalmente em uma economia em crise, o preço e a embalagem do vinho precisam ser muito bem ponderados. É isso que diferencia o produto", diz Jon Fredrikson, da Gomberg, Fredrikson & Associates, uma empresa de consultoria do setor vinícola. "É aí que os empreendedores deste ramo estão numa posição de vantagem, particularmente quando têm experiência em marketing ou vendas."

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