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O pecuarista Luiz Pereira Moraes, de Araçatuba (SP), perdeu nos últimos meses 50% da margem de lucro que pretendia ter com a venda de 800 bois para um frigorífico da região. Minha expectativa era conseguir ter um lucro de pelo menos 20%, mas consegui apenas 10%, diz.

A culpa, segundo ele, não é só do preço da arroba do boi gordo, que está em baixa, (R$ 74,00), mas principalmente do bezerro de reposição, cujo preço continuou alto, apesar da queda da arroba, que no ano passado, estava em R$ 84,00.

Com o dinheiro da venda do gado, Moraes esperava repor dois bezerros para cada boi vendido. Essa relação, que deveria ser de 2,5 bezerros para cada boi gordo, é uma fórmula usada tradicionalmente pelos pecuaristas para calcular a remuneração da venda do bezerro dois anos depois de comprado. "Esse é o tempo que um boi demora a ficar pronto para o abate", explica Moraes.

Durante esse período, o criador passa por todas as transformações do mercado. "Foi isso que aconteceu do ano passado para cá: o preço da arroba estava alto, o dos insumos também, agora caiu; mas o preço do bezerro para reposição continua no mesmo patamar de 2008", diz. Segundo Moraes, um boi de 16 ou 17 arrobas é vendido hoje em torno de R$ 1,2 mil, enquanto um bezerro está em R$ 650,00 ou R$ 700,00: "Se você computar, os custos de criação, com aluguel de pasto e sal para engordar o bezerro, você verá que ele estará custando em torno de R$ 1.130 quando estiver pronto para o abate. É uma margem de lucro muito pequena."
Para o presidente do Sindicato Rural da Alta Noroeste (Siran), Alfredo Ferreira Neves Filho, o preço da arroba está em queda por conta da sobrevalorização do dólar. "Os frigoríficos para não perderem com a defasagem do dólar nas exportações, forçam os preços para baixo. Eles fazem isso para tirar a diferença das exportações", diz. Para Neves Filho, o preço do boi em dólar, em torno de US$ 42 a arroba, está bom, mas como o real está sobrevalorizado, esse valor se torna ínfimo para os criadores. "Além do problema da reposição, o custo de produção ainda é alto e o pecuarista acaba tendo prejuízo, por isso muitos deles estão migrando para a produção de cana", afirmou Neves Filho.

Ele ainda alerta para o preço da carne, que chega ao consumidor sem o repasse da queda de preço. "Hoje as peças vendidas no atacado não estão no mesmo patamar de 2008 e por isso essa queda de preços, sentida na arroba do boi, não chegou aos consumidores". Segundo ele, o preço da carne deveria estar pelo menos 20% mais baixo que o atual.

No fechamento das exportações da carne bovina até outubro, a queda em dólares, em relação a 2008, foi de 28%, segundo a Associação Brasileira dos Importadores e Exportadores de Carne (Abiec).

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