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Produtores alugam áreas para as grandes companhias de celulose e passam a viver de renda ou alugar fazendas mais distantes

A região de Três Lagoas (MS) já teve um dos maiores rebanhos de gado do Brasil. No início de 2009, ainda contava 1,5 milhão de cabeças. Mas as pastagens estão rapidamente dando lugar a florestas de eucalipto, plantadas pela Fibria ou pela Eldorado. A primeira tem uma fábrica de celulose funcionando na cidade. A outra está construindo a primeira.

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Juntas, elas terão capacidade para produzir, a partir de 2013, mais de 3 milhões de toneladas do produto por ano. Grosso modo, calcula-se que para produzir 100 mil toneladas de celulose são necessários dez mil hectares de plantação de eucaliptos. Isso significa que o consumo anual será de 300 mil hectares, em cerca de dois a três anos.

Hoje, nas estimativas de Márcio Garcia de Souza, secretário de desenvolvimento econômico da cidade, existem aproximadamente 500 mil hectares plantados na parte leste do Mato Grosso do Sul, na qual está Três Lagoas. Mas a área de plantio potencial na região seria de 6 milhões de hectares. “Temos solos arenosos e fracos, impróprios para a agricultura”, diz. “E a maior parte das pastagens está degradada”.

Em função disso, afirma o secretário, muitos pecuaristas, e em especial os que não modernizaram o modelo de produção, tem trocado a incerteza da lida com o gado pelo ganho certo com a venda ou arrendamento da terra.

O pai de Higor Henrique Pierini, proprietário da Global informática, é um exemplo. “Resistiu durante um tempo, os vizinhos arrendaram”, conta o empresário. Mas, com uma floresta de eucalipto crescendo do outro lado da cerca, foi difícil manter a posição. “Vinha uma onça, pegava um carneirinho um dia, um bezerrinho no outro, e meu pai decidiu arrendar também”, diz. O dinheiro, segundo Pierini, foi suficiente para alugar o dobro da área em cidades mais distantes, onde hoje o pai cria gado.

A julgar pelos planos de expansão das companhias de celulose, é um cenário que tende a perdurar. A Eldorado sozinha projeta produzir na cidade 5 milhões de toneladas ano, até 2020, o que exigirá a plantação de 500 mil hectares de eucalipto por ano, a partir de 2013 e 2014.

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