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"Nos leilões realizados pelo governo, as fontes de energia competem entre si", afirma o presidente-executivo da Abragel

O segmento de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) está pessimista em relação à contratação de energia desses empreendimentos nos leilões para o mercado regulado, diante da competição com outras fontes e o baixo preço praticado nos certames.

"Neste ano, não vamos conseguir viabilizar a venda em leilões", disse o presidente-executivo da Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel), Charles Lenzi, após participação em evento sobre PCHs em São Paulo nesta terça-feira.

Segundo o representante do setor, um preço que viabiliza a contratação de energia de PCHs nos leilões estaria entre 150 e 160 reais por megawatt-hora (MWh). Nos últimos leilões, a energia eólica tem vendido a preço até abaixo de 100 reais por megawatt-hora. Nos leilões realizados pelo governo, as fontes de energia competem entre si.

Lenzi defende que não seja considerado apenas o custo de geração da energia durante os leilões, mas sim o custo global da energia, que consideraria, por exemplo, a distância das fontes do centro de carga e custos com conexão.Ele lembrou que uma boa parte dos projetos eólicos está distante dos centros de carga.

O representante do setor de PCHs disse ainda que a capacidade do segmento de competir está muito prejudicada. Alguns empreendedores de fato não consideram participar dos próximos leilões de energia com pequenas centrais hidrelétricas.

"O foco principal da Brookfield no Brasil é PCHs, mas nesse momento, a gente não considera participar dos leilões com esses níveis de preço", disse o vice-presidente de desenvolvimento de projetos da Brookfield Energia Renovável, Robert Coas. Para o executivo, a viabilidade dos projetos no leilão de fato considera preços entre 150 e 160 reais por MWh.

A CPFL Renováveis, que tem cerca de 500 megawatts (MW) de projetos de PCHs em desenvolvimento, também não vê perspectiva de mudança nas metodologias dos leilões do mercado regulado no médio ou curto-prazo.

O diretor de regulação e comercialização de energia da empresa, Marcio Severi, defende a complementaridade entre as fontes como uma forma de incentivar as PCHs. "Nós vamos precisar de complementaridade para as eólicas", disse Severi ao reforçar que a melhor opção seriam as PCHs.

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