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Buenos Aires, 6 nov (EFE).- A participação cidadã e a interação dos jornais com seus sites são algumas das chaves para o êxito dos meios de comunicação, disseram hoje especialistas no primeiro debate da 65ª Assembleia da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol).

No painel sobre experiências digitais bem-sucedidas, que abriu a assembleia da SIP em Buenos Aires, foram expostos bons resultados da interação entre meios impressos e seus sites, citando como exemplo as novas experiências de jornais de Argentina, Estados Unidos e Porto Rico.

Mas ficou claro que os alicerces do negócio na "rede de redes" para os meios de comunicação ainda não está cimentado, depois da explosão da "bolha" de fracassadas empresas ".com" que sacudiu os mercados em 2000.

Dan Pacheco, do jornal de Bakersfield, uma cidade de 300 mil moradores no estado americano da Califórnia, explicou que seu jornal conseguiu adaptar-se aos desafios da era audiovisual pela internet através da interação com site planejados "com base no que as pessoas têm em comum".

Neste sentido, apontou que a companhia montou uma "rede de nichos" que responde aos diferentes interesses das pessoas e que cresce "dia a dia" em oito sites na internet, que reúnem 53 mil usuários registrados, 4 milhões de visitas ao mês e 5 mil blogs "em uma cidade onde são vendidos 60 mil jornais diariamente".

O diário californiano trata seus avisos classificados "mais como um conteúdo" no qual são dados detalhes e oportunidades de ofertas para cada linha escrita ou impressa de consumidor, explicou.

"As pessoas procuram a conveniência de conteúdos personalizados, tiram um pouco de cada meio e é muito difícil pôr anúncios publicitários" sem distinguir cada nicho de interesse, apontou Pacheco, ao esclarecer que os sites "ainda não dão lucro".

O jornal "Primera Hora", o segundo em importância em Porto Rico, integrou sua redação da versão impressa com a de seu site e criou equipes especiais para atender as pessoas e encorajar a participação cidadã.

"O povo costuma ser a melhor fonte de uma boa história. A coisa mais absurda pode dar lugar a uma boa nota de interesse comunitário", assegurou Benjamín Morales, diretor do jornal portorriquenho.

Entre outras fórmulas bem-sucedidas, citou os benefícios de controlar os comentários que os leitores enviam ao site, que servem para determinar enfoques noticiosos e inclusive detectar erros nas informações e corrigi-los.

Morales também destacou os bons resultados da seção "Minha Queixa" para "ajudar a solucionar os problemas das pessoas" e a de "Interesse Humano", que convoca o leitor a propor histórias da vida cotidiana.

"Queremos fazer com que as pessoas sintam que compartilhar seus problemas e interesses conosco é beneficente", apontou, após destacar que estas receitas serviram para que o "Primera Hora" chegasse a uma tiragem de 133 mil exemplares diários e 950 mil visitas mensais a seu site, mais que o triplo das registradas em 2008.

Para Federico Turpe, do "La Gaceta", da província argentina de Tucumán (norte), os jornais digitais deveriam reger-se por critérios de rentabilidade, embora seja mínima.

"A web está repleta de sites bem-sucedidos que duram seis meses e milhares que levam anos perdendo fortunas" porque "a despesa chama investimento no futuro, sem que se saiba qual será o negócio no futuro", advertiu.

Turpe citou o site do "La Gaceta" como um exemplo a ser seguido, que "gasta menos de 50% do que recebe" por publicidade, "que é bastante menor" que o valor arrecadado na edição impressa.

O representante do jornal incluiu entre as "grandes mentiras" de internet as que preveem "o fim dos jornais, o fim dos jornalistas, entre outros 'fins'".

"O dia que 10% da informação estiver nos blogs desaparecerão muitos jornais, mas hoje é preciso revisar pelo menos 200 blogs para conseguir informação", assegurou Turpe. EFE alm/pd

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