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"O Brasil faz parte do time de países com moeda forte", disse Pimentel, cobrando inovação da indústria nacional

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O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, disse nesta quarta-feira que o real forte faz parte de uma realidade que não irá mudar no curto prazo e que o setor industrial precisa se adaptar a este cenário.

"O câmbio não vai mudar a curto prazo. O Brasil não vai voltar ao patamar de três e quatro anos atrás. O Brasil faz parte do time de países com moeda forte", afirmou o ministro, ao comentar a nova política industrial brasileira , em encontro com a imprensa estrangeira em São Paulo.

A valorização do real , que compromete a competitividade de produtos brasileiros no mercado internacional e facilita a entrada de importados, é uma das grandes queixas do empresariado.

Segundo o ministro, "os empresários que produzem hoje são os mesmos que produziam há 20 e 30 anos", tempos de moeda desvalorizada. Para Pimentel, a nova geração de líderes empresariais terá o real forte como parte do cotidiano e tratará o tema com maior naturalidade.

"Você não vê empresário francês e alemão reclamando do câmbio", disse o ministro, cobrando inovação no setor industrial brasileiro .

Segundo Pimentel, "a indústria brasileira não se atualizou" nas últimas décadas, por causa da instabilidade econômica vivida pelo país nas décadas de 1970 a 1990.

Pimentel reconheceu, no entanto, que o mundo vive um período de adversidades e que "a guerra cambial cria um ambiente de disputa comercial acirrada".

Ministro Fernando Pimentel, no lançamento do programa Brasil Maior ontem
Agência Brasil/Wilson Dias
Ministro Fernando Pimentel, no lançamento do programa Brasil Maior ontem
Impostos

Para Pimentel, a grande inovação da nova política industrial, chamada Brasil Maior, e lançada na terça-feira pela presidente Dilma Rousseff, é a desoneração da folha de pagamentos para os setores de confecções, calçados e artefatos, móveis e softwares até o fim de 2012.

Para o ministro, trata-se do início de um processo, indicando que mais setores devem ser incluídos no futuro. O setor de bens de capitais também continuará a ser beneficiado com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

"O Brasil não pode cobrar de quem está investido e empregando", disse Pimentel.

O ministro disse, no entanto, que não há mais espaço para renúncia fiscal do governo neste momento. Só com a desoneração desses setores o Tesouro deixará de arrecadar cerca de R$ 25 bilhões.

No dia do lançamento do plano, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, elogiou o pacote mais disse que é preciso mais.

"O plano é positivo, mas não será capaz de tirar a indústria do sufoco, porque persistem problemas a serem sanados, como o câmbio, os juros altos e a elevada carga tributária", disse Andrade, segundo comunicação oficial da CNI.

Protecionismo e inovação

Pimentel negou que a nova política industrial seja um pacote protecionista. Segundo o ministro, nenhuma medida tem relação com barreira tarifária.

As medidas da nova política industrial incluem ainda a preferência de compra, por parte do governo, de produtos nacionais com preço até 25% maior que similares estrangeiros, a fim de estimular a produção no país.

Pimentel ressaltou que o governo cobrará, em contrapartida, a inovação das empresas, sem detalhar como isso será feito.

Ele disse ainda que o governo deve usar um mecanismo chamado Encomenda Tecnológica, que irá permitir ao Estado financiar projetos de inovação, já que a legislação restringe investimentos a projetos que envolvam risco. "Não se consegue inovar se não arriscar", disse.

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