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Skaf, da Fiesp, lembra que faz cinco semanas consecutivas que a expectativa de inflação cai, além do recuo de 2,1% na indústria

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) manteve a linha de discurso proferido após as últimas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) e voltou a atacar nesta quarta-feira a nova alta da taxa Selic . "Depois de cinco semanas de queda consecutiva na expectativa de inflação, da queda de 3,8% na produção da indústria paulista e de 2,1% da brasileira de abril ante março, eu gostaria de saber por que os juros ainda subiram", questiona em nota o presidente da entidade, Paulo Skaf. 

"Tenho certeza que a sociedade brasileira também não compreendeu as razões desse aumento inadequado e inoportuno, que prejudica todo o país", acrescentou. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) acredita que o Copom "se equivocou mais uma vez" ao aumentar a taxa de juros.

"A ação do BC pode ser considerada uma ação exageradamente conservadora. O IPCA de maio cresceu 0,47% enquanto no mês anterior a taxa era de 0,77%. Há uma clara tendência de desaceleração econômica, com o PIB crescendo muito provavelmente abaixo de 4%, dentro da capacidade produtiva do país", alerta a entidade.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) também defende que a nova alta dos juros é "incompatível" com o cenário atual. "Diversos indicadores recentes já evidenciam arrefecimento da economia e redução das pressões inflacionárias", avalia a federação. A Firjan alertou ainda para "os impactos depressivos sobre a produção e o emprego do uso excessivo da política monetária". Fazendo coro com as outras entidades de indústria e comércio, o presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Rogério Amato, considerou negativa a decisão do Copom, "pois diversos indicadores apontam para a desaceleração do crescimento da economia e da inflação".

"O Banco Central deveria aguardar um pouco mais e continuar a monitorar a evolução da economia, antes de aumentar os juros ou adotar novas medidas de contenção do crédito", disse Amato em nota. A Força Sindical disse que a decisão do Copom é um "grave equívoco, com implicações negativas na geração de emprego e na renda dos trabalhadores".

Para a associação de trabalhadores, esta quarta alta seguida da Selic neste ano "aumenta ainda mais o gasto público brasileiro, consumindo bilhões de reais que poderiam ser investidos em áreas prioritárias, como educação, saúde e infraestrutura".

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