Tamanho do texto

Em junho, o IPC-S teve recuo de 0,18%; porém, queda do índice nos últimos dois meses não é uma tendência dos preços

A deflação de 0,04% registrada em julho no Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da Fundação Getulio Vargas chamou a atenção de Paulo Picchetti, que coordena o indicador e havia previsto estabilidade para o IPC-S do mês passado. Ele alerta, no entanto, que a queda do índice nos últimos dois meses não é uma tendência dos preços, que voltarão a patamar positivo já em agosto.

Em junho, o IPC-S teve recuo de 0,18%. "Isso esconde o comportamento da inflação e também o que vem aí pelos próximos meses", diz Picchetti. "Essa deflação foi muito influenciada pelos alimentos, e não há fundamento nenhum para imaginar que isso continue ao longo de agosto".

Para o mês atual, ele projeta alta de 0,4%, número que deve ser a taxa média mensal de aceleração até o fim do ano, quando o IPC-S fechará em 5,9%. "Não está mais parecendo que vai estourar o teto da meta, mas por outro lado está bem longe do centro em termos de tendência da inflação", pondera.

Segundo o coordenador, a deflação do IPC-S se prolongou em julho basicamente devido ao item alimentação, que fechou o mês com variação negativa de 0,67%, após queda de 0,88% na terceira semana de julho. "Os alimentos estão claramente caminhando para terreno positivo, o que é mais um motivo pra falarmos que neste ano não será repetida a taxa negativa de 0,08% em agosto de 2010", prevê.

Picchetti afirma que não há mais espaço para recuo das frutas, que saíram de queda de 4,18% para retração de 1,99% entre a terceira prévia e o fechamento do mês. Além disso, ele também destaca que a deflação em hortaliças e legumes está centrada apenas em dois itens: tomate, que caiu 18,32% na atual medição, e batata-inglesa, que registrou retração de 16,86%.

"Da mesma forma que eles caem muito fortemente, eles rapidamente revertem essa tendência, e deixam de ajudar tanto o grupo hortaliças e legumes como alimentação". O IPC-S também terá aceleração em agosto devido aos combustíveis, diz Picchetti. "Esses preços não devem continuar a subir, mas se estabilizar num patamar parecido com o que temos agora."

O álcool combustível acelerou de 3,60% para 3,83% entre a terceira e a última quadrissemana de julho. Já a gasolina saiu de queda de 0,23% para elevação de 0,38% no mesmo período.