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Comitê de Política Monetária do Banco Central confirma expectativa do mercado e sobe taxa Selic em 0,5 ponto percentual

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira uma nova elevação da taxa básica de juros da economia em 0,50 ponto percentual. Com a decisão, a taxa Selic foi a 11,75% ao ano, o maior nível desde janeiro de 2009 quando os juros estavam em 12,75%. A última vez em que a taxa básica de juros ficou fixada em 11,75% foi em abril de 2008.

Em comunicado divulgado após o encontro, a autoridade monetária disse que a decisão foi unânime e sem viés, "dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias".

O movimento da taxa de juros

A evolução da taxa Selic

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Fonte: Banco Central


A alta de meio ponto percentual já era aguardada pelo mercado, que aposta em uma continuidade do ciclo de aperto monetário, iniciado em janeiro, por conta da manutenção das pressões inflacionárias.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a taxa oficial de inflação no País, referente ao mês de fevereiro será divulgada na sexta-feira. A média das estimativas dos analistas apontam para uma alta de 0,84%. Em janeiro, o indicador teve variação de 0,83%, a maior variação em único mês desde abril de 2005, quando o IPCA avançou 0,87%.

Nos últimos 12 meses, o índice está acumulado em 5,99%, acima dos 12 meses imediatamente anteriores (5,91%). Com esse resultado, a inflação deu sinais claros de que pode superar o teto da meta estabelecida pelo Banco Central de 6,5%.

O economista-chefe da corretora Prosper, Eduardo Velho, argumentou que o Banco Central pode ter avaliado elevar mais os juros, mas a sinalização recente, por meio da ata e do relatório de inflação, mostra que a autoridade monetária conta com o impacto das medidas macroprudenciais para ajudar na desaceleração gradual da inflação. “A inflação do primeiro trimestre já está ‘precificada’ pelo mercado em um patamar elevado”, disse.

“Temos que esperar agora a desaceleração da inflação no segundo trimestre. Alguns indicadores fechados de janeiro, como produção de papel, indústria automobilística e os indicadores de crédito apontam queda ou desaceleração, em linha com o cenário do BC”, destacou.

Para Velho, o detalhamento dos cortes no orçamento deve contribuir para que o ritmo de avanço da inflação perca fôlego ao longo do ano, apesar de alguns sinais emitidos pelo governo como o reajuste do Bolsa Família e os aportes de recursos do BNDES. “A direção da política fiscal era perigosa demais antes do ajuste do orçamento. A simples desaceleração no ritmo de gastos em relação ao patamar de 2010 é uma mudança positiva”, acrescentou o economista da Prosper.

Para Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, a autoridade monetária deve manter o ciclo de alta de 200 pontos-base na taxa de juros para evitar "não só que a inflação deste ano ultrapasse o teto superior da banda como também para garantir a convergência da inflação para o centro da meta em 2012".

Ela considera que o anúncio do corte de gastos pelo governo não vai alterar a estratégia do BC para a Selic, "seja porque a instituição monetária já estava trabalhando com um cenário de cumprimento de meta de superávit primário, seja pelo pequeno impacto em termos de inflação".

O economista do banco Santander, Cristiano Souza, argumenta que quanto mais assertivo for o Banco Central, melhor será, porque o ritmo forte de atividade permite o repasse de custos sobre os preços, o que representa um cenário de perigo para a inflação. “Alguns itens vão seguir pressionando de forma pontual a inflação, principalmente no período de entressafra”, disse Souza. “Essas pressões podem fazer com que depois de junho a inflação acumulada em doze meses ultrapasse o teto meta de inflação de 6,5%. Nesse cenário, o maior risco é consolidar um patamar inflacionário em níveis elevados.”