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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que a fusão entre Itaú e Unibanco fortalece as instituições financeiras brasileiras. Para ele, a união dos bancos mostra que o Brasil tem capital financeiro sólido.

"Se foi um reflexo da crise, é um bom reflexo. Mas não creio que tenha sido." Ele fez um alerta ao governo Lula: "O que o Banco Central está fazendo, tem mesmo que fazer. Não dá para brincar com essa crise. Na Europa eles deram aporte direto de capital porque há escassez".

Para Fernando Henrique, o que falta mais hoje não é liquidez, é confiança. "Por bem ou por mal, a confiança só é readquirida quando o poder político diz: olha, eu estou por trás. Então, nós precisamos sair depressa dessa fogueira financeira e tratar depois da economia real para tomar um caminho de crescimento." O ex-presidente, que disse não ter conta nem no Itaú nem no Unibanco, não acredita que a fusão possa preocupar os correntistas das duas instituições. "São instituições sólidas e vão ficar ainda mais sólidas, aí não há perigo."

O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto também afirmou que o acordo mostra o fortalecimento do sistema financeiro interno. "A união será importante também para acelerar o desempoçamento de liquidez no sistema interbancário, pois coloca os (bancos) competidores em alerta para colocarem também sua liquidez para funcionar." O ex-ministro espera que a concentração bancária não seja impedimento à competição, "necessária ao setor".

O analista da Gávea Investimentos Armando Castelar Pinheiro, porém, discorda do ex-ministro sobre influência da fusão na liquidez no sistema financeiro. "Não muda nada. Por ser maior, o novo banco poderia sofrer menos em caso de redução de depósitos. Mas os dois bancos já tinham liquidez."

Para ele, a crise financeira global pode ter acelerado o processo de fusão que, segundo as instituições, era negociado há 15 meses. Castelar lembra que houve grande variação de cotações de ações de bancos nas últimas semanas. Segundo ele, "a tendência natural é que o Bradesco compre alguma coisa".

Na opinião do analista, o negócio cria uma pressão para que outras instituições também cresçam comprando outras. "O Banco do Brasil comprou o Besc e está comprando a Nossa Caixa", exemplificou.

Já o ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira disse não esperar novas fusões de bancos e acredita que o Bradesco não vai ter uma atuação agressiva de compra. "O Bradesco é muito forte, essa competição não faz sentido." Para o ex-ministro, o negócio fortalece o sistema bancário do País, mas não necessariamente vai aumentar a liquidez no mercado doméstico. "Não ajuda, nem atrapalha ou, se ajuda, ajuda pouco. Não creio que fará grande diferença."

O professor da Unicamp Luiz Gonzaga Belluzzo ressaltou que a criação do Itaú Unibanco Holding deve requerer mais atenção das autoridades reguladoras. O acadêmico destacou que o sistema bancário é naturalmente um oligopólio, cujo nível de competição é bem diferente do de outros setores.

Para o ex-presidente do BC e diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Carlos Langoni, a decisão do Unibanco de se fundir ao Itaú "deve ter refletido a visão estratégica do banco de que a liquidez está mais apertada e há perspectivas de queda de rentabilidade, já que, mesmo depois da crise, o crédito deve ter forte desaceleração".

Ele comparou a fusão com a decisão da Merril Lynch, nos EUA, que foi vendida ao Bank of America. E destacou o fato de ser um negócio de mercado, e não induzido pelo governo.

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