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Companhias projetam lucros maiores, mais contratações e elevação dos investimentos no ano que vem

As empresas no Brasil estão otimistas com o próprio negócio em 2011. Segundo levantamento do Ibope, a pedido da Câmara Americana de Comércio (Amcham), as companhias esperam aumentar as vendas, lucrar mais, contratar mais funcionários e elevar seus investimentos no ano que vem.

"O otimismo aparece tanto em relação aos negócios, quanto com o cenário macroeconômico", diz Mara Lacerda, diretora de produtos e serviços da Amcham. "Essa boa perspectiva se deve a uma retomada da estabilidade do Brasil, a uma visão de um menor risco Brasil e a fatores positivos de competitividade", completa.

Segundo o levantamento, para 87% das companhias, o volume de vendas deve crescer em 2011, frente ao ano anterior. Outros 10% dizem que o faturamento permanecerá estável. Só 2% acreditam que as vendas cairão no próximo ano.

Entre as empresas ouvidas, 75% esperam lucros maiores frente a 2010, ao passo que 21% diz que os ganhos ficarão estáveis e 4% acreditam em queda nos lucros. Apesar de projetarem mais ganhos, 58% das empresas espera manter o preço unitário dos produtos no ano que vem.

Diante das boas perspectivas, 63% das companhias projetam investimentos maiores em 2011. O otimismo com relação a 2011 é maior que o observado entre 2009 e 2010, quando 55% das empresas esperavam elevar os investimentos naquele ano. Para 33% das companhias, os investimentos em 2011 devem permanecer estáveis frente a 2010, ao passo que 4% prevê reduzir os aportes no ano que vem.

Com relação à contratação de funcionários, 58% prevê aumento no número, 38% espera manutenção e 4% queda no quadro em 2011.

As estratégias comerciais (canais de venda, promoções e ações) devem ser o principal foco dos investimentos das empresas em 2011, com 65% dos recursos. Contratações, treinamentos e benefícios vêm em seguida, com 47%.

O levantamento mostra que 46% das empresas esperam investir em inovação e pesquisas, enquanto 39% apontam investimentos em marketing. Para 23%, o foco dos investimentos estará em produção e planos fabris.

Preocupações

Entre os pontos de preocupação para o ano que vem, a carga tributária aparece no topo da lista, com 54% dos entrevistados. "A questão da carga tributária é recorrente, mas começamos a ter uma discussão não no sentido da redução da arrecadação com impostos, mas da possibilidade de micro reformas, que possibilitarão o desenvolvimento das empresas", disse Mara Lacerda.

Segundo a pesquisa, para 52% das empresas, o cenário político com o novo governo também preocupa. "Independente de qual seja o candidato vencedor nas eleições, não existe sinalização de mudança drástica nos planos econômicos. O resultado da pesquisa pode ser atribuído ao período, já que estamos em meio às eleições", disse a diretora da Amcham.

Para 41%, a possibilidade de desaceleração da economia brasileira em 2011 é um fator de risco, enquanto 39% se dizem preocupados com a disponibilidade e qualificação da mão de obra local.

Outros fatores de risco, segundo as empresas, são infraestrutura (25%), ausência de investimentos público e privados (22%), legislação e regulamentação (21%), sociedade (13%), burocracia (12%), inflação (9%) e concorrência chinesa (9%).


Economia

Ao analisar o cenário econômico brasileiro, as empresas também demonstraram otimismo. Para 57%, a inflação deve permanecer estável em 2011, enquanto 33% esperam alta dos preços. Com relação ao desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), 64% acreditam em alta.

Na avaliação do comportamento do câmbio, 61% acreditam em manutenção da taxa, enquanto 26% esperam alta. Sobre os juros, 46% apostam em Selic mantida nos níveis atuais e 33% acreditam que os juros subirão no ano que vem.

O Ibope ouviu 500 empresas entre os dias 16 e 29 de setembro. Na amostra, 32% eram micro e pequenas empresas, 34% médias e outros 34% eram grandes companhias. Entre as empresas participantes, 76% eram brasileiras, 14% norte-americanas e 10% de outras nacionalidades.

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