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Uma pane no recém-instalado sistema de mistura de gasolina e álcool anidro na base da Shell, em Paulínia (SP), prejudicou, entre segunda-feira e ontem, a entrega de gasolina para postos de São Paulo e Minas Gerais atendidos pela unidade. Segundo a companhia, uma falha no sistema fez com a mistura do anidro à gasolina ficasse menor que a obrigatória por lei, de 25%.

O problema foi descoberto após a entrega do combustível em três postos da região de Campinas (SP) e o volume de 15 mil litros foi reposto com produto dentro da conformidade.

O funcionamento do sistema só foi retomado hoje, de acordo com o José Cardoso Teti Filho, gerente de instalações da Shell Brasil. Enquanto o problema ocorreu, cerca 1,2 milhão de litros de gasolina foram entregues aos postos da Shell pelas companhias Cosan Combustíveis e Lubrificantes (CCL, ex-Esso) e Ipiranga. "Precisamos acionar as companhias parceiras, que têm um alto padrão de qualidade e são associadas ao Sindicom (sindicato das distribuidoras)", explicou. Houve ainda atraso na entrega de entre 200 mil e 400 mil litros do combustível para alguns postos, pelo fato de a Shell não conseguir suprir a demanda com a operação de emergência.

A base da Shell na cidade paulista entrega cerca de 2 milhões de litros por dia de gasolina no interior paulista, Triângulo Mineiro e sul de Minas Gerais. Segundo a companhia, o problema, no entanto, foi restrito a cidades da Região Metropolitana de Campinas e nenhum consumidor abasteceu com gasolina fora da conformidade. "Uma pane no sistema inteligente durante o carregamento fez com que as informações eletrônicas acumuladas fossem diferentes das físicas e menos álcool foi injetado", disse o executivo.

De acordo com Teti Filho, quando o problema foi detectado, ainda na segunda-feira, a gasolina já entregue nos três postos foi recolhida, trocada por outra com a mistura correta e começou a operação de emergência da companhia. "Apenas houve um desconforto para alguns clientes por conta do atraso de entregas, já que alguns chegaram a ficar sem o combustível por algum tempo em uma bomba", explicou. "O sistema foi normalizado e toda a operação já voltou ao normal hoje", ratificou.

O misturador da Shell foi instalado há cerca de 15 dias na unidade da companhia, após um período de testes. Funcionou normalmente nos primeiros dias, até apresentar o problema do início desta semana. O equipamento faz a mistura antes do carregamento no caminhão-tanque e substitui a operação que sempre foi feita manualmente, ou seja, com colocação de uma parte de gasolina pura e outra de etanol anidro de cada vez.

O Sindicato dos Proprietários de Postos de Combustíveis de Campinas e Região (Recap) informou que associados relataram ter problemas com o abastecimento de gasolina da Shell durante a semana. Segundo a entidade, como não foram feitas denúncias formais, não poderia se pronunciar a respeito do assunto.

Já a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que o uso do misturador não requer uma homologação da entidade, pois o equipamento precisa ser vendido para a distribuidora dentro dos padrões para que seja feita a mistura recomendada.

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