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PIB da Coreia do Sul saltou de US$ 3 bilhões em 1965 para US$ 263,7 bilhões em 1990, durante o período do bônus populacional

Jovens coreanos acessam a internet pelo celular: país asiático soube aproveitar a oportunidade para melhorar sua estrutura social
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Jovens coreanos acessam a internet pelo celular: país asiático soube aproveitar a oportunidade para melhorar sua estrutura social
Países como Estados Unidos, Alemanha, França, Japão e Coreia do Sul já viveram os efeitos do bônus demográfico. Em diferentes épocas, eles conseguiram consolidar as bases para o crescimento e melhorar a estrutura social com distribuição de renda, aliada a uma oferta de melhores serviços nas áreas de saúde e educação.

A Coreia do Sul, por exemplo, passou pelo bônus demográfico de 1965 a 1990. Segundo estimativas de alguns analistas, aproximadamente um terço do crescimento econômico verificado pelo país asiático naquele período pode ser creditado à mudança na estrutura etária da população.

Em 1965, o Produto Interno Bruto (PIB) coreano era de US$ 3 bilhões, cifra que passou a US$ 263,7 bilhões em 1990. Mas o resultado, segundo os especialistas, talvez não tivesse sido tão positivo caso não fosse acompanhado de investimentos em educação, que no caso da Coreia foi de cerca de 10% do PIB do país nesse período de 25 anos.

Nos casos da Alemanha e do Japão, segundo o professor de mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) José Eustáquio Diniz Alves, o melhor aproveitamento do bônus demográfico ocorreu na década de 1960. Em ambos os casos, a queda acentuada da fecundidade aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial.

“Mais recentemente, os tigres asiáticos como a Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Cingapura são bons exemplos do aproveitamento do bônus demográfico. Eles mantiveram taxas de pleno emprego durante décadas e investiram pesadamente em educação de qualidade e na produtividade da força de trabalho”, disse.

Mas o país que tem mais chamado a atenção dos estudiosos dos movimentos populacionais é a China, que implantou uma política drástica de controle da natalidade na década de 1970, com a premissa de apenas um filho por casal. Agora, os chineses colhem os benefícios de uma estrutura etária extremamente favorável ao desenvolvimento econômico com forte crescimento do PIB.

“Calcula-se que 30% do crescimento do PIB chinês se deve exclusivamente ao bônus demográfico. Não por acaso, o país retirou cerca de 400 milhões de habitantes da situação de pobreza nos últimos 30 anos”, acrescenta Alves.

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