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Gaspar Ruiz Canela. Cha-am (Tailândia), 27 fev (EFE).- Os ministros de Assuntos Exteriores e Finanças do Sudeste Asiático se reuniram hoje para adotarem uma postura conjunta que permita que o grupo avance em direção à criação de um mercado comum em 2015, mas sem cair no protecionismo.

A reunião ministerial, da mesma forma que a cúpula de chefes de Estado e Governo da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) que será realizada este fim de semana, acontece em meio a uma crise financeira mundial que se transformou no maior obstáculo do grupo para perseguir seu ambicioso plano de integração.

Apesar de os dez líderes da Asean - formada por Brunei, Mianmar, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Cingapura, Tailândia, e Vietnã - devem assinar na cúpula os princípios para criar esta zona de livre-comércio inspirada na da União Europeia (UE), no meio do grupo surgem sinais díspares.

Em alguns dos países da Asean foram feitos apelos ao consumo preferencial pelos produtos locais e a favor do fechamento das fronteiras para trabalhadores imigrantes, que contradizem o espírito da integração econômica.

O Governo da Malásia instou seus cidadãos a consumirem produtos nacionais e proibiu dar emprego a operários estrangeiros nas fábricas do país, enquanto o da Indonésia, por outro lado, restringiu a importação de cerca de 500 mercadorias.

Sem que a queda das exportações dos países da Asean para os maiores mercados do grupo tenha chegado ao fundo do poço, no seio do bloco se avalia a preocupação de alguns líderes diante do risco de que os Governos adotarem medidas protecionistas em uma tentativa de amortecer o impacto da recessão mundial.

"Não devemos recorrer às tendências protecionistas quando nossas economias estiverem em teste", declarou o primeiro-ministro da Tailândia, Abhisit Vejjajiva, anfitrião do encontro realizado na localidade de Cha-am, cerca de 150 quilômetros ao sul de Bangcoc.

À cúpula que deveria ter acontecido em dezembro, mas que foi adiada por causa da crise política na Tailândia, faltarão, nesta ocasião, os líderes de China, Coreia do Sul e Japão, os maiores parceiros comerciais da Asean e que também notam o impacto da recessão global.

Antes de participar da cúpula, Lee Hsien Loong, primeiro-ministro de Cingapura, país considerado o centro financeiro do Sudeste Asiático, alertou sobre a existência do "potencial" risco de que fracasse o plano da Asean de completar uma região de livre-comércio em 2015, caso alguns países decidam atuar para proteger sua economia da instabilidade financeira mundial.

Este tipo de ações não foram descartadas pelo secretário-geral da Asean, Surin Pitsuwan, embora tenha afirmado que caso sejam colocados em prática terão um objetivo a curto prazo.

Apesar de a crise econômica e de os países da região não darem todos o mesmo sinal de disposição para abrirem suas economias para o comércio sem limites, a Asean assinou na sexta-feira um tratado de livre-comércio com Austrália e Nova Zelândia e outro com a Índia.

O ministro da Economia de Cingapura, Lim Hng Kiang, disse após a assinatura dos tratados que este tipo de pacto "é talvez mais importante neste período de dificuldades econômicas, onde a interdependência, a cooperação e a liberalização são cada vez mais determinantes nas economias".

O pacto com Austrália e Nova Zelândia, que entrará em vigor no dia primeiro de julho, contempla a eliminação ou redução das tarifas para 96% dos produtos em processo escalonado que se completará em 2020.

O tratado assinado com a Índia contempla 95% dos produtos e começará em junho com um primeiro corte de tarifas, seguido de outro em 2010.

Além disso, durante a reunião ministerial da Asean foram assinados acordos para a eliminação de algumas tarifas, homologação de atividades profissionais e de investimentos transnacionais.

A Asean conta com uma população combinada de 570 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto conjunto de US$ 1,1 trilhão. EFE grc/fal

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