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Citando elevação de ratings e reservas, Tombini afirmou que a economia brasileira já "se preparou para um cenário mais complexo”

Alexandre Tombini
Agência Brasil
Alexandre Tombini
“O Brasil está preparado caso haja deterioração do cenário internacional”, afirmou na tarde desta segunda-feira o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. O dirigente da autoridade monetária brasileira disse que a maioria das medidas e incentivos adotada na crise financeira internacional de 2008 foram revertidas e que o País hoje possui um mercado interno muito mais robusto. Ele também disse que o regime de câmbio flutuante é capaz de absorver choques externos.

Tombini almoçou com empresários mineiros na sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), na capital mineira, e a partir de 14h proferiu breve palestra, que durou aproximadamente 30 minutos. O evento foi transmitido para jornalistas por meio de um telão, no andar térreo da sede da Fiemg.

O dirigente do Banco Central afirmou que “a economia brasileira não está se preparando. Ela se preparou para um cenário mais complexo”. Ele citou a elevação do rating do Brasil por agências de classificação de risco da dívida soberana e também números da reserva de dólares, ou seja, o volume de dólares que o País tem em caixa. “Chegamos ao mínimo de US$ 187 bilhões e hoje temos mais de US$ 345 bilhões, até junho de 2011. Isso nos dá capacidade de prover liquidez estrangeira em momento de maior estresse”, destacou.

O presidente do Banco Central saiu da Fiemg sem conversar com jornalistas, mas estaria otimista em relação à medida que aumenta a capacidade de endividamento dos Estados Unidos, de acordo com o presidente da Fiemg, Olavo Machado Júnior. “A expectativa dele (Tombini) é de que o assunto está maduro nos Estados Unidos e que o Congresso americano vai aprovar medidas”, contou o chefe da Fiemg.

Durante a palestra, Tombini traçou breve cenário atual da economia internacional e apontou o que vem sendo feito pelo governo brasileiro. Ele destacou que o cenário internacional de instabilidade tem como raiz atualmente a deterioração da economia norte-americana, com enfraquecimento do dólar como fenômeno global. O dirigente do Banco Central lembrou ainda que o cenário norte-americano é marcado hoje pelo desemprego em patamar elevado, a política fiscal com baixo grau de manobra e discussões sobre o teto de endividamento.

Entre as metas para manter o Brasil equilibrado, Tombini destacou a meta da inflação de 4,5% e a manutenção do crédito, entretanto, com uma agenda de contenção de endividamento das famílias. Para isso, foi elevado para 15% o pagamento mínimo de faturas de cartões de crédito, que anteriormente era de 10%. Em dezembro, lembra o presidente do Banco Central, este percentual subirá para 20%.

Tombini foi abordado por empresários mineiros e ouviu reclamações sobre a alta taxa de juros. O presidente da Fiemg destacou que o País passa por um processo de desindustrialização especialmente com o reforço do mercado asiático. “As pequenas empresas morrem com remédios dados pela economia como um todo”, afirmou o dirigente da Fiemg.

Flávio Roscoe, presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis de Malhas no Estado de Minas Gerais, questionou Tombini sobre o motivo de as medidas macroprudenciais serem tímidas e “insignificantes”, enquanto o aumento das taxas de juros é drástico. O presidente do Banco Central respondeu que “o volume de reservas internacionais é moderado, tem servido bem aos país, mas não podemos ter uma politica de braços abertos aos fluxos, em um cenário economia internacional imundada de liquidez”.