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As medidas que o governo está preparando para enfrentar a crise financeira internacional são várias e terão foco na baixa renda, declarou ontem a presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho. A participação da Caixa no pacote se dará na área de habitação, considerada grande geradora de emprego, inclusive de baixa qualificação, e beneficiará também a classe média tomadora de crédito imobiliário.

Outros órgãos do governo também estão envolvidos no esforço governamental contra a crise global. A executiva confirmou que o governo pretende aumentar o valor do imóvel que pode ser adquirido com uso dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Ele poderá chegar a R$ 500 mil, antecipou Maria Fernanda. "Mas ainda não está definido."

O mesmo aumento, ainda a ser decidido, valerá como limite para a aquisição do imóvel com financiamento habitacional lastreado em recursos da caderneta de poupança. Ela comentou que a poupança alcançou um recorde de captação de mais de R$ 90 bilhões no ano passado.

Maria Fernanda também confirmou que a Caixa estuda ainda um mecanismo para que os mutuários com dificuldades financeiras tenham garantido por um período de seis meses o pagamento das prestações do financiamento da casa própria. A ferramenta para isso seria um seguro da operação ou um fundo garantidor com esse objetivo. "Tudo isso ainda está em estudo", declarou a presidente do banco.

Com a medida, quem não precisar utilizar o período sem pagar terá alguma compensação, como um abatimento no valor do saldo devedor. Outra notícia, essa fora do pacote de janeiro, é que este ano o Feirão de Imóveis com financiamento da Caixa ocorrerá em um mesmo fim de semana de maio em todo o Brasil.

No ano passado, do total aproximado de R$ 80 bilhões em crédito concedido pelo banco, cerca de R$ 36 bilhões foram destinados às empresas. "Pretendemos em 2009 repetir o crescimento que tivemos em 2008 com expansão do crédito de 30%", afirmou a executiva, ao responder à pergunta sobre o crédito para empresas.

"Temos recursos para micro, médias e grandes empresas", disse a executiva, ao ser questionada se a Caixa destinaria recursos à Petrobrás, como no ano passado. A operação enfrentou a crítica de estar, em tese, reduzindo a oferta de recursos que a instituição poderia destinar ao segmento de micro, pequenas e médias empresas.

"Estamos fazendo várias operações e isso tem sido importante", declarou, referindo-se ao ambiente de redução da liquidez que ocorreu com o agravamento da crise internacional a partir de setembro do ano passado. A presidente da Caixa deu as declarações em cerimônia de lançamento do bilhete da Loteria Federal que homenageia os 72 anos do Museu Nacional de Belas Artes.

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